Cinco dias na Côte d'Azur sem carro e sem pressas: Nice como base, as aldeias empoleiradas de Èze, a baía de Villefranche, o Mónaco a pé e os limões de Menton. Um roteiro dia a dia, com dicas de transporte e de época.
Cinco dias chegam para conhecer o melhor da Côte d'Azur sem carro e sem correrias, desde que se escolha bem a base. Este roteiro Riviera Francesa usa Nice como casa: tem aeroporto, tem a estação principal da costa e fica a meio caminho entre as aldeias de Cap Ferrat e Èze, o Mónaco e Menton. Daqui, o comboio regional e os autocarros fazem o resto. O plano é simples: dois dias para Nice, um para a baía de Villefranche e Cap Ferrat, um para Èze e o Mónaco, e um último para Menton, quase na fronteira com Itália.
Porquê Nice como base
Mudar de hotel todas as noites é a maneira mais rápida de estragar uma viagem curta. Nice resolve isso: é a maior cidade da costa, tem alojamento para todos os orçamentos e uma linha de comboio que segue colada ao mar até Menton, com paragens em Villefranche-sur-Mer, Beaulieu, Èze-sur-Mer e Mónaco. Para as aldeias no alto das falésias, como Èze village, há autocarros regionais que sobem pelas estradas de cornija.
Do aeroporto ao centro também é fácil: o elétrico liga o terminal ao centro e ao porto, sem necessidade de táxi. E à noite, depois de um dia fora, volta-se para uma cidade com vida própria, restaurantes e um passeio à beira-mar que nunca cansa.
Dia 1 · Nice, do mercado à colina
Comece pelo Vieux Nice, a cidade velha, um labirinto de ruas estreitas, fachadas cor de ocre e roupa estendida entre as janelas. De manhã, o Cours Saleya é o centro de tudo: o mercado das flores e dos produtos frescos funciona de terça a domingo, até ao início da tarde, e à segunda-feira o espaço é dos antiquários e da velharia. É o sítio certo para provar a socca, o crepe fino de grão-de-bico que sai do forno a lenha, e a pissaladière, uma tarte de cebola com anchovas.
Ao fim da manhã, suba à Colline du Château, o morro que separa a cidade velha do porto. Já não há castelo, mas há jardins, uma cascata e a vista mais famosa de Nice: a curva perfeita da Baie des Anges, com a Promenade des Anglais a correr ao longo de quilómetros. Desça depois para o porto Lympia, com os barcos de pesca coloridos e as fachadas italianas, e acabe o dia na Promenade, com os pés na praia de seixos e o sol a cair sobre o mar.
Dia 2 · Nice dos pintores
Nice foi a cidade de inverno da aristocracia europeia, e é por isso que a UNESCO a classificou como Património Mundial em 2021, como cidade de vilegiatura de inverno da Riviera. Foi também a cidade de Matisse e de Chagall, e o segundo dia é para eles.
Suba ao bairro de Cimiez, na colina a norte, onde fica o Museu Matisse, numa villa genovesa de cor vermelha rodeada por um olival e por ruínas romanas. Matisse viveu em Nice durante décadas e está sepultado no cemitério ali ao lado. A descer, pare no Museu Nacional Marc Chagall, construído para receber a série da Mensagem Bíblica, com grandes telas de azuis profundos e vitrais.
À tarde, caminhe pela Promenade du Paillon, o parque comprido que atravessa o centro com espelhos de água onde as crianças brincam no verão, e entre na Place Masséna, com o seu pavimento em xadrez e fachadas vermelhas. Se tiver energia, a Avenue Jean Médecin é a rua das compras.
Dia 3 · Villefranche-sur-Mer e Saint-Jean-Cap-Ferrat
Bastam poucos minutos de comboio para trocar Nice por uma das baías mais bonitas do Mediterrâneo. Villefranche-sur-Mer desce em escadinha até um porto pequeno, com casas pintadas de amarelo, laranja e rosa. Junto ao cais, a Chapelle Saint-Pierre foi decorada por Jean Cocteau com desenhos de pescadores e cenas da vida de São Pedro.
Daqui, siga para a península de Saint-Jean-Cap-Ferrat, uma língua de terra coberta de pinheiros e villas escondidas. A Villa Ephrussi de Rothschild, de cor-de-rosa, tem jardins temáticos com vista para as duas baías e é uma das casas mais espetaculares da costa. Para a tarde, o caminho do litoral que contorna parte da península é perfeito: caminha-se entre rochas, enseadas de água transparente e pinhais, com paragens para mergulhos. Leve calçado confortável e água.
Dia 4 · Èze e o Mónaco
É o dia mais cheio e o mais memorável. De manhã, apanhe o autocarro para Èze village, uma aldeia medieval empoleirada num rochedo a cerca de 430 metros acima do mar. As ruas são passagens de pedra, escadas e arcos, hoje ocupadas por ateliês, pequenas galerias e casas de perfume. Lá no alto, onde ficava o castelo, o Jardim Exótico de Èze mistura cactos e plantas suculentas com uma das vistas mais vertiginosas da Côte d'Azur. Com tempo limpo, a vista alcança quilómetros de costa para os dois lados.
A descida pode fazer-se pelo Chemin de Nietzsche, o antigo caminho de mulas que liga a aldeia a Èze-sur-Mer, junto à praia. Diz-se que o filósofo o percorria quando ali passava temporadas. São cerca de 400 metros de desnível, com degraus e pedra solta: a descer, conte com perto de uma hora; a subir, é bem mais exigente e não se recomenda a crianças pequenas. Lá em baixo, a estação de Èze-sur-Mer põe-no no Mónaco em poucos minutos.
A tarde é para o principado: o Rochedo e a cidade velha, a troca da guarda (que acontece ao fim da manhã, por isso talvez valha a pena inverter a ordem do dia), o Museu Oceanográfico sobre a falésia, o mercado da Condamine e, ao fim do dia, a praça do Casino de Monte-Carlo. Contamos o percurso inteiro em Mónaco a pé, do Rochedo ao porto, com os elevadores públicos que poupam as pernas e o barco que atravessa o porto.
Nice e Mónaco: comboio ou autocarro?
O comboio é a forma mais rápida de ligar Nice e o Mónaco, e não há controlo de fronteira. O autocarro pela costa demora mais e está sujeito ao trânsito, sobretudo à entrada e saída do principado, mas tem melhores vistas. As linhas e horários dos autocarros regionais mudam com frequência, por isso confirme sempre no próprio dia; ao domingo há menos ligações.
Dia 5 · Menton, a cidade dos limões
O último dia é para Menton, a última cidade francesa antes de Itália, com um clima tão ameno que os limoeiros crescem nos jardins. A cidade velha sobe pela encosta em tons de amarelo e laranja até à basílica de Saint-Michel, com uma escadaria em calçada de seixos. Cá em baixo, o Museu Jean Cocteau junta a obra do artista, que se apaixonou pela cidade, e o mercado coberto é um bom sítio para almoçar.
Se a viagem coincidir com fevereiro, Menton está em festa: a Fête du Citron, com carros alegóricos e esculturas gigantes feitas de citrinos, decorre em 2027 de 13 a 28 de fevereiro, segundo o site oficial. Fora dessa altura, aproveite os jardins e a praia, e volte a Nice de comboio ao fim da tarde para um último passeio na Promenade.
Quando ir à Riviera Francesa
A primavera e o outono são as melhores alturas para este roteiro: dias quentes, mar ainda ou já agradável, e muito menos gente do que em julho e agosto. O inverno é suave e tem a vantagem dos preços mais baixos e da Fête du Citron, mas algumas atividades de praia ficam de fora. No verão, conte com comboios cheios, praias concorridas e alojamento caro.
Atenção ao Grande Prémio de Fórmula 1 do Mónaco, no fim da primavera: nessa semana, os preços disparam em toda a costa e há ruas cortadas no principado.
Antes de ir
- Base: Nice, perto da estação Nice-Ville ou da cidade velha, para fazer tudo a pé, de comboio ou de autocarro.
- Transporte: comboio regional para Villefranche, Èze-sur-Mer, Mónaco e Menton; autocarro para Èze village; carro dispensável.
- Calçado: sapatos confortáveis para escadas e calçada, e ténis a sério se fizer o Chemin de Nietzsche ou o caminho do litoral de Cap Ferrat.
- Praias: em Nice são de seixos; uns sapatos de água fazem diferença.
- Documentos: leve documento de identificação, que pode ser pedido à entrada do casino de Monte-Carlo.
- Horários: confirme no próprio dia os horários de autocarros, museus e jardins, que mudam com a época.
- Ordem flexível: se o tempo estiver encoberto, troque um dia de costa por um dia de museus em Nice.
Para continuar a viagem
O Mónaco merece mais do que uma tarde a correr. Se quiser vivê-lo com calma, do Rochedo à Condamine e às luzes de Monte-Carlo, leia o nosso Mónaco a pé, do Rochedo ao porto antes de partir.