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Blog · Mónaco

Mónaco a pé, do Rochedo ao porto

6 min de leitura

Mónaco a pé, do Rochedo ao porto

Um dia a atravessar o segundo mais pequeno país do mundo a pé, entre a cidade velha no alto do rochedo, os elevadores públicos, o mercado da Condamine e as luzes de Monte-Carlo.

Quase toda a gente chega ao Mónaco com uma imagem feita: iates do tamanho de prédios, carros desportivos à porta do casino, gente que parece ter saído de uma revista. Essa imagem existe, mas é só uma camada. Por baixo há um país com pouco mais de dois quilómetros quadrados, encaixado entre a montanha e o mar, que se percorre de uma ponta à outra numa manhã. E a melhor maneira de o perceber é exatamente essa: com sapatos confortáveis e sem pressa.

Chegar de comboio, sair debaixo da terra

A partir de Nice, o comboio regional segue colado à costa e, em pouco mais de vinte minutos, entra num túnel e pára numa estação escavada na rocha. Não há fronteira, não há controlo de passaportes. Sobe-se por escadas rolantes e corredores compridos e, de repente, estamos cá fora, no meio de prédios brancos pendurados na encosta, com o Mediterrâneo lá em baixo.

É a primeira lição do Mónaco: aqui o espaço é tão escasso que a cidade cresceu para cima e para dentro da montanha. Estações, parques de estacionamento e até avenidas inteiras correm por túneis.

O Rochedo, onde tudo começou

O primeiro destino é o Rochedo, o promontório onde fica Mónaco-Ville, a parte antiga. Foi aqui que, no fim do século XIII, um membro da família Grimaldi tomou a fortaleza disfarçado de frade, segundo a lenda que o próprio brasão do principado recorda. Os Grimaldi nunca mais saíram.

As ruas da cidade velha são estreitas, limpas, cor de pêssego e de ocre, e cheiram a pão e a sabão de Marselha. Ao fim da manhã, convém estar na praça em frente ao Palácio do Príncipe: pouco antes do meio-dia, os carabineiros de uniforme fazem a troca da guarda, com uma cerimónia curta e muito ensaiada. Depois dela, o melhor é encostar-se ao parapeito da praça e olhar para baixo. Dali vê-se o porto inteiro, a curva da baía e os prédios de Monte-Carlo a subir pela encosta.

A poucos passos fica a catedral, de pedra branca, onde estão sepultados vários príncipes e também a princesa Grace, a atriz norte-americana que trocou Hollywood pelo Rochedo nos anos cinquenta. A campa é simples e quase sempre tem flores frescas.

Um museu sobre o abismo

Na outra ponta do Rochedo, o Museu Oceanográfico ergue-se literalmente sobre a falésia, com as fundações a mergulhar no mar. Foi mandado construir pelo príncipe Alberto I, um apaixonado pelos oceanos, e durante décadas teve como diretor Jacques-Yves Cousteau. Mesmo quem não é fã de aquários deve entrar: o edifício por si só vale a visita, e o terraço do último piso tem uma das melhores vistas da costa, da Itália ao cabo de Ail.

Descer à Condamine

Para descer do Rochedo há rampas e escadarias antigas, mas também há outra solução que é muito monegasca: os elevadores e escadas rolantes públicos. Estão espalhados pela cidade, ligam as ruas de cima às de baixo e são gratuitos. Usá-los é meio caminho andado para não acabar o dia com as pernas em fanicos.

Lá em baixo fica a Condamine, o bairro do porto, e é aqui que o Mónaco parece mais um sítio onde se vive. O mercado coberto da Place d'Armes tem bancas de fruta, queijos e flores, e no interior servem-se pratos simples ao balcão. Vale a pena provar a barbajuan, um pastel frito recheado de acelgas e queijo que é praticamente o petisco nacional, e a socca, um crepe fino de farinha de grão-de-bico que se partilha com os vizinhos da Riviera.

O porto e a curva mais famosa do mundo

O Porto Hércules é o coração da cidade. De um lado, iates com bandeiras de meio mundo; do outro, as bancadas e os rails que todos os anos, no fim da primavera, transformam estas ruas no circuito do Grande Prémio de Fórmula 1. Fora dessa semana, qualquer pessoa pode caminhar pelo traçado: a subida até à praça do Casino, o gancho apertadíssimo junto ao hotel, o túnel à beira-mar. É estranho e divertido pisar a pé um asfalto que se conhece da televisão.

Para atravessar o porto há um pequeno barco elétrico que faz a ligação entre as duas margens em poucos minutos. Não é nenhum cruzeiro, mas é a forma mais simpática de ver os barcos ao nível da água.

Monte-Carlo ao cair da tarde

O dia termina onde a fama do Mónaco começou: na praça do Casino de Monte-Carlo. O edifício, desenhado pelo mesmo arquiteto da Ópera de Paris, Charles Garnier, abriu no século XIX e transformou um principado sem recursos num destino da alta sociedade europeia. Hoje, os jardins à frente funcionam como palco: turistas a fotografar carros, grupos de amigos sentados nos bancos, porteiros de luvas brancas a fingir que não reparam em nada.

Não é preciso jogar para ver o átrio, e só por ele vale a pena atravessar a porta. Mas, se a ideia é apenas sentir o ambiente, uma esplanada na praça e um café ao fim da tarde dizem tanto como uma noite nas mesas. Quando as luzes se acendem e o mar escurece por trás dos jardins, percebe-se finalmente porque é que este pedaço de costa conquistou tanta gente: não pelo luxo, mas pelo cenário.

Antes de ir

  • Como chegar: o mais prático é ficar em Nice e vir de comboio regional, que pára na estação Monaco-Monte-Carlo. Também há autocarros pela costa, mais lentos mas com melhores vistas.

  • Quanto tempo: um dia chega para o essencial a pé. Quem quiser museus com calma, uma praia em Larvotto e uma noite em Monte-Carlo deve contar com dois.

  • Quando: primavera e outono têm dias amenos e menos gente. Confirme a data do Grande Prémio antes de marcar: nessa semana, o acesso às ruas do circuito muda e os preços de alojamento sobem muito.

  • Documentos e moeda: usa-se o euro e não há controlo de fronteira com França, mas leve sempre um documento de identificação, que é pedido à entrada do casino.

  • O que levar: calçado confortável para escadas e rampas, e uma peça de roupa mais cuidada se quiser entrar no casino ou jantar em Monte-Carlo.

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