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Blog · Cabo Verde

Roteiro de Cabo Verde em 10 dias por três ilhas

02 Abril 2026 · 8 min de leitura

Roteiro de Cabo Verde em 10 dias por três ilhas

Dez dias chegam para conhecer três ilhas de Cabo Verde sem correrias: a música do Mindelo, as montanhas de Santo Antão e o mar turquesa do Sal. Plano dia a dia, transportes entre ilhas e alternativas para quem só quer duas.

Dez dias é o tempo certo para perceber que Cabo Verde não é um destino, são dez. Cada ilha tem paisagem, ritmo e até sotaque próprios, e o erro mais comum é querer ver demasiadas e passar a viagem em aeroportos e cais. Este roteiro de Cabo Verde propõe três ilhas que se completam e que se ligam bem entre si: São Vicente, pela cidade e pela música; Santo Antão, pelas montanhas e pelos trilhos; e o Sal, para acabar com os pés na areia. Começa-se no Mindelo, atravessa-se de ferry para Santo Antão, regressa-se e voa-se para o Sal, de onde se volta para casa.

Porque estas três ilhas

São Vicente e Santo Antão são vizinhas, separadas por um canal que o ferry atravessa em cerca de uma hora, e funcionam quase como um par: uma tem a cidade, os cafés e as mornas; a outra tem os vales verdes, as aldeias suspensas e os melhores caminhos pedestres do arquipélago. Juntar-lhes o Sal no fim dá ao roteiro aquilo que muitas pessoas procuram em Cabo Verde e que nenhuma das outras duas oferece tão bem: praias longas de areia branca e mar calmo para descansar as pernas.

Há outra vantagem prática. Tanto São Vicente como o Sal têm voos diretos de Lisboa, por isso é possível entrar por uma ilha e sair por outra, sem voltar atrás. Na hora de comprar os voos, pesquise uma viagem de ida para São Vicente e regresso a partir do Sal.

Roteiro de Cabo Verde em 10 dias, dia a dia

Dias 1 e 2: Mindelo, a cidade que canta

Chega-se ao aeroporto Cesária Évora, que leva o nome da mais famosa voz do Mindelo, e em poucos minutos está-se na cidade. O Mindelo merece pelo menos dois dias inteiros. Vale a pena perder-se pelo centro de casas coloniais coloridas, entrar no mercado municipal pela manhã, ver o peixe a chegar ao mercado junto à baía e sentar-se numa esplanada da Rua de Lisboa a ver passar a cidade.

À noite, o Mindelo é música. Em muitos bares e restaurantes há mornas e coladeiras ao vivo, tocadas com violão e cavaquinho, e não é preciso procurar muito para encontrar uma mesa perto dos músicos. No segundo dia, suba ao Monte Verde, o ponto mais alto da ilha, para ver o Mindelo, a baía e Santo Antão do outro lado do canal, ou siga para a Baía das Gatas e para as praias do lado leste para um primeiro banho de mar.

Dias 3 a 6: Santo Antão a pé

Na manhã do terceiro dia, apanhe o ferry para Porto Novo. A travessia é curta mas o canal costuma ter vento, por isso as viagens da manhã são normalmente as mais tranquilas. Do cais, os aluguers (carrinhas partilhadas) levam-no ao norte da ilha, pela estrada da costa ou pela antiga Estrada da Corda, que atravessa as montanhas e é uma excursão por si só.

Quatro dias em Santo Antão dão para fazer os dois trilhos que justificam a viagem: a descida da cratera da Cova até ao Vale do Paul, entre socalcos de cana e trapiches de grogue, e o caminho da falésia entre Ponta do Sol e Fontainhas, uma das aldeias mais fotogénicas do país. Sobra tempo para um vale mais calmo, como Ribeira da Torre, e para uma tarde sem planos em Ponta do Sol. Explicamos cada percurso, com tempos e dificuldade, no artigo sobre os trilhos de Santo Antão.

Durma no norte, em Ponta do Sol ou no Vale do Paul. Fica perto do início dos trilhos e evita a viagem diária até Porto Novo. No sexto dia, ao fim da tarde, regresse ao Mindelo.

Dia 7: voar para o Sal

O sétimo dia é de transição. Do aeroporto de São Vicente há voos domésticos para o Sal, curtos e sem complicações quando os horários se cumprem. Use a tarde para se instalar em Santa Maria, a vila do sul da ilha, e fazer o primeiro passeio pela praia ao pôr do sol.

Dias 8 a 10: Sal, entre o sal e o mar

O Sal é plano, seco e luminoso, quase o oposto de Santo Antão, e é precisamente esse contraste que faz o roteiro funcionar. A praia de Santa Maria estende-se por quilómetros e tem água transparente e geralmente calma do lado de sotavento. Para além da praia, há três passeios clássicos:

  • Pedra de Lume: as salinas instaladas dentro de uma antiga cratera, onde se flutua numa água tão salgada que é impossível afundar.
  • Buracona: piscinas naturais na costa oeste, com o famoso "Olho Azul", uma gruta onde a luz do sol, a determinada hora do dia, acende a água de azul.
  • Baía da Parda (Shark Bay): águas pouco profundas onde se observam pequenos tubarões-limão a nadar à volta dos pés, com calçado de água e sempre com respeito pelos animais.

O último dia fica para o mar, para um passeio de barco ou, para quem tem jeito, para o kitesurf e o windsurf, que têm aqui um dos melhores palcos do Atlântico. O voo de regresso parte do aeroporto internacional do Sal, a poucos quilómetros de Santa Maria.

Como se viaja entre ilhas em Cabo Verde

Este é o ponto que mais dúvidas levanta, e com razão: em Cabo Verde, os transportes entre ilhas pedem sempre alguma margem.

Ferry Cabo Verde: quando vale a pena

O ferry é a melhor (e única) forma de chegar a Santo Antão e funciona bem nas travessias curtas entre ilhas vizinhas, como São Vicente–Santo Antão ou Santiago–Fogo–Brava. A principal operadora é a CV Interilhas, que publica a programação no seu site. Entre grupos de ilhas mais afastados, como Barlavento e Sotavento, as viagens são longas, menos frequentes e muito sujeitas ao estado do mar, por isso raramente compensam numa viagem de dez dias.

Voos entre ilhas Cabo Verde

Para saltar entre ilhas distantes, como São Vicente e o Sal, o avião é a escolha lógica. Nos últimos anos, os voos domésticos mudaram várias vezes de operador e de frota, com períodos de cancelamentos e atrasos. Desde março de 2026, as ligações internas estão a cargo da CV Sky, a nova companhia pública criada para os voos entre ilhas (a CV Sky vende os bilhetes no seu site), enquanto a Cabo Verde Airlines ficou com os voos internacionais. A operação ainda está a estabilizar, por isso a regra de ouro mantém-se: reserve os voos entre ilhas com antecedência, confirme-os alguns dias antes e nunca marque um voo doméstico para o mesmo dia do voo internacional de regresso. Neste roteiro, o voo São Vicente–Sal fica três dias antes da partida precisamente por isso.

Cabo Verde em duas ilhas: alternativas mais curtas

Se tiver uma semana ou preferir viajar mais devagar, Cabo Verde em duas ilhas também funciona muito bem. As combinações que recomendamos:

  • São Vicente + Santo Antão (7 a 8 dias): o par perfeito para quem gosta de caminhar, de música e de comer bem. Dispensa voos domésticos: entra-se e sai-se pelo Mindelo.
  • Santiago + Fogo (7 a 8 dias): a Cidade Velha, primeira cidade fundada pelos europeus nos trópicos e Património Mundial da UNESCO, e a subida ao vulcão do Fogo, com noite em Chã das Caldeiras. Liga-se de ferry ou de avião.
  • Sal + Boa Vista (7 dias): para quem quer sobretudo praia, dunas e sol garantido, com pouca logística.

Se tem mais tempo e está a pensar acrescentar uma quarta ilha, lembre-se de que cada salto custa, na prática, meio dia de viagem.

Antes de ir

  • Voos internacionais: procure ida para São Vicente e regresso a partir do Sal (ou o inverso). Poupa um voo doméstico.
  • Voos domésticos: reserve cedo, confirme dias antes e deixe pelo menos uma noite de folga antes do voo para Lisboa.
  • Ferry: confirme os horários em vigor da travessia Mindelo–Porto Novo antes de fechar as noites em Santo Antão.
  • Dinheiro: leve escudos cabo-verdianos em notas pequenas para aluguers, mercados e cafés. Nas vilas pequenas nem sempre se aceita cartão.
  • Mala: duas metades distintas. Botas de caminhada, bastões e casaco leve para Santo Antão; fato de banho, protetor solar e chapéu para o Sal.
  • Ritmo: em Cabo Verde diz-se no stress. Planeie com folga e aceite que um barco ou um avião pode mudar de hora.

Comece pela ilha mais verde

O coração deste roteiro são os dias em Santo Antão, e é aí que podemos ajudar. A nossa experiência Trilhos de Santo Antão encaixa nos dias 3 a 6: três dias e duas noites com um guia da ilha, travessia de barco desde São Vicente, caminhadas até Fontainhas e da cratera da Cova ao vale de Ribeira Grande, e noites em pensão familiar em Ponta do Sol. Para o resto da viagem, veja tudo o que propomos em Cabo Verde.

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3 dias · 2 noites Máximo de 8 pessoas

€390 / pessoa

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