A ilha vizinha da Madeira é o oposto dela: plana, seca e dourada, com uma praia de cerca de nove quilómetros. O que fazer em Porto Santo, como chegar de ferry ou de avião e quantos dias reservar.
Porto Santo é a outra ilha habitada do arquipélago da Madeira e, em quase tudo, o seu contrário. Onde a Madeira é vertical, verde e húmida, Porto Santo é baixa, seca e cor de areia. O que fazer em Porto Santo resume-se, à primeira vista, a uma palavra: praia. E que praia: um areal dourado de cerca de nove quilómetros, de água calma e transparente, que ocupa quase toda a costa sul. Mas quem fica mais do que um dia descobre também miradouros sobre o Atlântico, ilhéus, picos vulcânicos esculpidos pelo vento e uma vila pequena onde o tempo anda mais devagar do que no Funchal.
A ilha mede pouco mais de uma dezena de quilómetros de ponta a ponta. Percorre-se de carro numa manhã e de bicicleta num dia sem pressa. É precisamente essa escala, humana e tranquila, que faz dela a escapadinha perfeita para quem está na Madeira, ou um destino de praia por si só.
Como chegar a Porto Santo: ferry ou avião
Há duas maneiras de chegar a Porto Santo a partir do Funchal.
O ferry Porto Santo, o navio Lobo Marinho da Porto Santo Line, faz a travessia em cerca de duas horas e meia e leva também carros, o que dá jeito a quem quer explorar a ilha com o seu próprio veículo. A viagem é parte da experiência: a saída do porto do Funchal, com a cidade em anfiteatro a ficar para trás, e, com sorte, golfinhos a acompanhar o navio em mar aberto. Em dias de ondulação forte o mar pode estar agitado, por isso quem enjoa deve levar precaução. Os horários e a frequência variam muito entre a época alta e a baixa; confirme sempre no site da Porto Santo Line antes de planear.
A alternativa é o avião, num voo curto entre os aeroportos da Madeira e de Porto Santo.
A praia de Porto Santo
A grande razão para vir é a praia de Porto Santo, um areal contínuo que corre desde a vila até à Ponta da Calheta, no extremo sudoeste. A areia é fina e dourada, muito diferente das praias de calhau e areia escura da Madeira, e o mar, protegido dos ventos de norte, costuma ser calmo, raso e de um azul-turquesa que parece das Caraíbas.
A areia de Porto Santo tem fama antiga. Há gerações que se diz, na ilha e fora dela, que tem propriedades terapêuticas, e não é raro ver pessoas enterradas até ao pescoço ao fim da tarde. Seja ou não verdade, a sensação de calor da areia ao sol é real e relaxante.
Algumas zonas para conhecer ao longo do areal:
- Junto à vila: mais movimentada, com bares de praia, apoios e o cais ao lado.
- Cabeço da Ponta e zona central: espaço de sobra, mesmo em agosto, para estender a toalha longe de toda a gente.
- Ponta da Calheta: o fim do areal, com rochas escuras, piscinas de maré e vista para o Ilhéu de Baixo (ou da Cal). Ao pôr do sol, é dos sítios mais bonitos da ilha.
Outras praias e enseadas
Para lá do grande areal, há recantos menos conhecidos. A Praia do Zimbralinho, numa pequena enseada rochosa a sudoeste, tem água cristalina e é ótima para snorkeling, mas o acesso faz-se por um caminho de terra e escadas, por isso exige algum esforço. Na costa norte, mais exposta ao vento, o Porto das Salemas e a Fonte da Areia mostram outro lado da ilha: falésias recortadas, rochas de arenito moldadas pela erosão e o Atlântico aberto.
O que fazer em Porto Santo além da praia
Miradouros e picos
Porto Santo é uma ilha vulcânica antiga, com picos que, apesar de modestos na altitude, dão vistas largas. O Pico do Castelo tem uma estrada e um caminho com pinheiros até perto do topo e uma vista que abarca a vila, o areal e o mar. O Miradouro da Portela, mais perto da vila, é o postal clássico: os moinhos de vento e, lá em baixo, a praia inteira a perder de vista.
No lado oeste, o Pico de Ana Ferreira guarda uma das curiosidades geológicas mais bonitas do arquipélago: um conjunto de colunas prismáticas de basalto, formadas pelo arrefecimento lento da lava, que a população chama "o piano" mas que parecem tubos de órgão. Vê-se bem a partir do miradouro da antiga pedreira.
A vila e a Casa Colombo
A Vila Baleira é a pequena capital da ilha: casas brancas, a igreja matriz, a praça com o pelourinho e esplanadas sem pressa. Aqui fica a Casa Colombo – Museu do Porto Santo, associada pela tradição à passagem de Cristóvão Colombo pela ilha, onde terá vivido com a mulher, Filipa Moniz, filha do primeiro capitão-donatário de Porto Santo. O museu conta essa ligação e a história das viagens atlânticas.
Caminhadas, bicicleta e mar
A ilha é plana o suficiente para ser percorrida de bicicleta em grande parte, e há percursos pedestres pelos picos e pela costa norte. No mar, as águas calmas e claras são boas para mergulho, snorkeling, caiaque e stand-up paddle, e há passeios de barco à volta dos ilhéus. Quem joga golfe encontra também um campo na ilha.
Comer como em Porto Santo
Não saia sem provar o bolo do caco feito na ilha, peixe fresco grelhado, lapas e, se encontrar, os biscoitos de Porto Santo, secos e perfumados, que se levam para casa. As uvas da ilha dão também um vinho próprio, pouco conhecido fora do arquipélago.
Quantos dias e quando ir
Um dia chega para uma primeira impressão: ferry de manhã, praia, almoço na vila, um miradouro e regresso ao fim da tarde (se os horários desse dia o permitirem). Mas Porto Santo pede pelo menos duas ou três noites. É preciso tempo para o ritmo da ilha se instalar, para ver o pôr do sol na Ponta da Calheta e para conhecer a costa norte sem relógio.
A época de praia vai de junho a setembro, quando a água está mais quente e a ilha ganha movimento, sobretudo em agosto, com muitas famílias madeirenses. Maio, junho e setembro são, para muitos, os melhores meses: tempo de praia, menos gente. No inverno a ilha fica muito sossegada e alguns serviços reduzem horários, mas o clima mantém-se ameno e é ótimo para caminhar.
Porto Santo ou Madeira?
Não é preciso escolher. As duas ilhas completam-se. A Madeira é para caminhar nas levadas, subir aos picos e explorar vales; Porto Santo é para descansar, nadar e não fazer nada com gosto. Uma boa combinação é passar cinco dias na Madeira e dois ou três em Porto Santo, terminando a viagem com os pés na areia.
Antes de ir
- Transporte: reserve o ferry ou o voo com antecedência no verão e confirme os horários do dia, que mudam com a época.
- Carro: se for de ferry e quiser explorar muito, pode levar o carro; caso contrário, há aluguer, táxis, bicicletas e autocarros na ilha.
- Praia: a areia aquece muito ao meio-dia; leve chapéu, protetor solar e água. Há pouca sombra natural no areal.
- Vento: a costa norte é mais ventosa; leve um casaco leve para os miradouros.
- Mar: o ferry pode balançar em dias de ondulação; quem enjoa deve preparar-se antes de embarcar.
- Dinheiro e serviços: a maior parte dos serviços está concentrada na Vila Baleira.
E na Madeira, uma pausa diferente
Se combinar Porto Santo com a ilha principal, reserve também tempo para conhecer a Madeira por dentro, longe da praia. O nosso Retiro entre sobreiros, pensado para o outono, é uma experiência de dois dias e uma noite que parte do Funchal, junto ao Mercado dos Lavradores, com uma caminhada guiada de cerca de três horas por um trilho de levada na floresta Laurissilva e uma noite num refúgio familiar, com jantar e pequeno-almoço de produtos da terra, em grupos de no máximo seis pessoas. O contraponto verde e enevoado ao dourado de Porto Santo.