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Blog · Madeira

Do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo: regras e reservas

06 Outubro 2026 · 7 min de leitura

Do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo: regras e reservas

O PR1, entre o Pico do Arieiro e o Pico Ruivo, reabriu com regras novas: reserva obrigatória, sentido único e taxa própria. Explicamos como funciona, como reservar e como preparar a caminhada mais famosa da Madeira.

Quer subir ao Pico Ruivo, o ponto mais alto da Madeira, pela vereda que sai do Pico do Arieiro? Ainda pode, mas já não como antigamente. O PR1, a caminhada mais famosa da ilha, reabriu em 2026 depois de uma longa reconstrução e funciona agora com regras novas: reserva prévia obrigatória na plataforma Simplifica, circulação num só sentido, do Arieiro para o Ruivo, e uma taxa própria, mais alta do que a dos outros percursos. Neste guia explicamos o que mudou, como reservar e como organizar o dia, incluindo o pormenor que mais apanha os caminhantes de surpresa: o regresso.

O que mudou no PR1 da Madeira

O PR1, oficialmente Vereda do Areeiro, esteve fechado durante muito tempo depois dos incêndios de agosto de 2024, que afetaram a zona alta da ilha. Seguiram-se obras de recuperação do caminho, das proteções e das zonas mais expostas. A reabertura fez-se por fases ao longo da primavera de 2026, primeiro com acesso apenas em alguns dias da semana.

Segundo o comunicado do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), noticiado na imprensa regional, o percurso passou a estar aberto todos os dias a partir de 26 de junho de 2026. Mantiveram-se duas regras que mudam a forma de fazer a caminhada: a circulação é unidirecional, do Pico do Arieiro para o Pico Ruivo, e o acesso exige registo prévio na plataforma Simplifica, do Governo Regional.

Os trabalhos não acabaram por completo. Em setembro de 2026, por exemplo, o troço entre o Miradouro da Pedra Rija e o Pico Ruivo esteve fechado durante alguns dias para a instalação de passadiços. Por isso, a regra de ouro é simples: na semana da caminhada, consulte os avisos no site do IFCN antes de sair.

A taxa dos trilhos da Madeira

Desde 1 de janeiro de 2026, os percursos pedestres classificados da Madeira funcionam com um novo modelo de taxas e reservas, definido por portaria regional. Na prática, quem não é residente na Região paga uma taxa por percurso, e todos, residentes incluídos, têm de se registar e reservar.

À data de outubro de 2026, os valores publicados eram estes:

  • Percursos recomendados em geral: 4,50 euros por pessoa, segundo o Visit Madeira, com isenção para crianças até aos 12 anos.
  • PR1, Vereda do Areeiro: 10,50 euros por pessoa para o público em geral, ou 7 euros quando a caminhada é feita com um operador turístico com protocolo com o IFCN.
  • Residentes na Madeira: isentos de pagamento, mas obrigados a registo e reserva como os restantes.

Os valores podem mudar, por isso confirme sempre na própria plataforma no momento da reserva. Um pormenor importante: o reembolso é limitado, e em regra só acontece quando o IFCN condiciona o acesso ao percurso. Mau tempo previsto não é, por si só, motivo para devolução, o que torna a escolha do dia ainda mais importante.

Como reservar no Simplifica

A reserva faz-se online, no portal Simplifica Madeira, no serviço de pagamento de taxas de acesso aos percursos pedestres classificados. O processo é simples, mas convém fazê-lo com tempo:

  1. Escolha o percurso, PR1 Vereda do Areeiro, e a data.
  2. Selecione o horário de entrada. A capacidade é gerida por intervalos de tempo, para evitar que demasiadas pessoas comecem ao mesmo tempo.
  3. Registe cada caminhante. A reserva é individual: cada pessoa do grupo precisa da sua, incluindo crianças isentas de pagamento.
  4. Pague a taxa e guarde o comprovativo da reserva no telemóvel.

Como a capacidade de cada horário é limitada, convém não deixar a reserva para a véspera, sobretudo nas épocas de maior procura. Se quer ver o nascer do sol no Arieiro e começar logo a seguir, reserve assim que tiver as datas da viagem.

O percurso: do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo

Mesmo com as regras novas, a vereda continua a ser uma das caminhadas de montanha mais espetaculares da Europa. Começa no Pico do Arieiro, a 1818 metros, onde se chega de carro, passa junto ao Pico das Torres, com 1851 metros, e termina no Pico Ruivo, o ponto mais alto da ilha, a 1862 metros.

O Visit Madeira indica uma extensão de cerca de 7 quilómetros e uma duração de cerca de três horas e meia, de dificuldade média. Não se deixe enganar pela distância curta: o caminho sobe e desce constantemente, com escadarias talhadas na rocha, troços estreitos sobre ravinas e passagens por túneis escavados no tufo vulcânico, que em tempos serviam de abrigo a pastores e gado. A subida final até à casa de abrigo do Pico Ruivo é a parte mais exigente.

A recompensa está em cada curva. Em dias limpos, os picos de basalto escuro recortam-se contra o céu, e muitas vezes caminha-se acima de um mar de nuvens que cobre os vales lá em baixo. No topo do Pico Ruivo, com tempo aberto, vê-se a ilha quase de ponta a ponta.

O regresso: o detalhe que muda tudo

Com o PR1 em sentido único, já não é possível voltar a pé ao Pico do Arieiro pelo mesmo caminho. Quem deixava o carro no Arieiro e fazia ida e volta tem de mudar de plano.

A solução habitual é descer do Pico Ruivo pelo PR1.2, a Vereda do Pico Ruivo, até à Achada do Teixeira, um percurso de 2,8 quilómetros em cada sentido segundo o Visit Madeira, que liga o pico a um parque de estacionamento no concelho de Santana. Daí, precisa de transporte de volta. As opções mais comuns são:

  • Táxi ou transfer combinado para o esperar na Achada do Teixeira à hora prevista.
  • Dois carros, um deixado em cada ponta, se viajar em grupo.
  • Caminhada organizada com um operador, que trata do transporte entre os dois pontos e, além disso, paga uma taxa mais baixa.

Confirme também, ao reservar, como funciona o registo para a descida pelo PR1.2, para não ter surpresas no terreno.

Antes de ir

  • Reserva: obrigatória para todos no Simplifica, com horário de entrada. Leve o comprovativo no telemóvel.
  • Taxa: à data de outubro de 2026, 10,50 euros por pessoa no PR1 (7 euros com operador com protocolo); confirme o valor no momento da reserva.
  • Estado do trilho: consulte os avisos do IFCN na véspera. Podem existir fechos parciais por obras ou por mau tempo.
  • Tempo: em altitude o tempo muda depressa. Nevoeiro, vento e frio são frequentes mesmo no verão; evite dias de chuva forte ou vento intenso.
  • Equipamento: botas com boa aderência, casaco quente e corta-vento, água, algo para comer e uma lanterna para os túneis.
  • Regresso: combine o transporte a partir da Achada do Teixeira antes de começar.
  • Forma física: não é uma caminhada técnica, mas tem muitos degraus e troços expostos. Não é recomendada a quem sofre de vertigens.

Outra forma de caminhar na Madeira

Se o PR1 é a Madeira das alturas, a floresta Laurissilva é a Madeira das levadas, da névoa e do musgo, e merece tanto tempo como os picos. No nosso Retiro entre sobreiros, uma experiência de dois dias com uma noite que parte do Funchal, junto ao Mercado dos Lavradores, caminhamos cerca de três horas por um trilho de levada na Laurissilva, Património Mundial, e passamos a noite num refúgio familiar com jantar e pequeno-almoço de produtos da terra, em grupos de no máximo seis pessoas. Não inclui o PR1, mas é o complemento ideal para quem quer ver as duas caras da ilha. Para saber mais sobre a floresta, leia também Madeira: respirar dentro da Laurissilva.

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