Dois dias chegam para se apaixonar por Sevilha. Propomos um roteiro realista, do Real Alcázar à Giralda, da Plaza de España ao bairro de Triana, com dicas para fugir às filas, comer bem e escolher a melhor altura do ano.
Há cidades que se visitam e cidades que se sentem na pele. Sevilha é das segundas: cheira a flor de laranjeira na primavera, soa a guitarra ao fim da tarde e brilha com azulejos em cada esquina. Se está a pensar o que visitar em Sevilha num fim de semana prolongado, a boa notícia é que dois dias chegam para ver o essencial sem correr: o Real Alcázar, a Catedral e a Giralda, a Plaza de España, o bairro de Santa Cruz e o outro lado do rio, em Triana. Este roteiro de Sevilha em dois dias foi pensado para quem quer ver muito, mas também sentar-se numa esplanada sem olhar para o relógio.
Antes de começar: como chegar a Sevilha a partir de Portugal
Para muitos portugueses, Sevilha é a capital estrangeira mais fácil de alcançar por estrada. De Lisboa são cerca de 460 quilómetros, mais ou menos quatro horas e um quarto a quatro horas e meia de carro, sem paragens. A partir do Algarve, a viagem encurta para cerca de duas horas. Há também ligações de autocarro e voos a partir de Lisboa e do Porto.
Se for de carro, deixe-o no hotel ou num parque e esqueça-o durante a visita. O centro histórico de Sevilha percorre-se a pé, e grande parte das ruas do bairro de Santa Cruz são estreitas demais para o trânsito.
Dia 1: o coração monumental
Manhã: Real Alcázar de Sevilha
Comece pelo monumento mais bonito da cidade, e um dos mais bonitos da Europa. O Alcázar de Sevilha é um conjunto de palácios construídos ao longo de vários séculos, com o estilo mudéjar como fio condutor: arcos rendilhados, tetos de madeira trabalhada, azulejos geométricos e pátios onde a água corre em canais estreitos. O Palácio de Pedro I, com o Pátio das Donzelas, é o momento alto da visita.
Reserve tempo para os jardins, que são enormes e cheios de recantos: laranjeiras, fontes, pavilhões e a galeria do Grutesco. O Alcázar, a Catedral e o Arquivo das Índias formam, juntos, um conjunto classificado Património Mundial pela UNESCO.
Compre o bilhete online com antecedência e escolha a primeira hora da manhã. A procura é muito grande durante todo o ano e as filas no local podem ser longas. Confirme horários, tarifas e eventuais entradas gratuitas na bilheteira oficial do monumento antes de ir.
Almoço: bairro de Santa Cruz
Saindo do Alcázar, entra-se diretamente no antigo bairro judeu, Santa Cruz: um labirinto de ruelas brancas, pátios com vasos de flores e pequenas praças com laranjeiras. É um bom sítio para perder o mapa e, depois, encontrar um bar de tapas. Peça salmorejo (um creme frio de tomate, mais espesso do que o gaspacho), espinacas con garbanzos ou uma tosta de presunto.
Tarde: Catedral e Giralda
A Catedral de Sevilha é a maior catedral gótica do mundo e foi construída sobre a antiga mesquita almóada da cidade. Do edifício muçulmano ficaram o Pátio dos Laranjais e o antigo minarete, a Giralda, que se tornou campanário e símbolo de Sevilha.
Lá dentro, impressiona a escala: o retábulo-mor, coberto de ouro, e o monumento funerário de Cristóvão Colombo, carregado por quatro figuras que representam os reinos de Espanha. A subida à Giralda faz-se por rampas, e não por escadas, pensadas para que se pudesse subir a cavalo. Lá em cima, a vista sobre os telhados e as torres da cidade compensa o esforço.
Fim de tarde: o rio e a Torre do Ouro
Desça até ao Guadalquivir e caminhe pela margem até à Torre do Ouro, uma torre de vigia almóada que guardava o porto. Ao fim do dia, a luz sobre o rio é dourada e a margem enche-se de gente a correr, a passear e a conversar.
Noite: flamenco
Sevilha é uma das capitais do flamenco. Há espetáculos em tablaos e em pequenas salas culturais, mais íntimas e muitas vezes mais autênticas do que os grandes palcos para turistas. Reserve com antecedência, porque os lugares são poucos.
Dia 2: praças, cogumelos e o outro lado do rio
Manhã: Plaza de España e Parque de María Luisa
A Plaza de España foi construída para a Exposição Ibero-Americana de 1929 e é provavelmente a praça mais fotografada de Espanha. Um semicírculo de tijolo e azulejo, com um canal onde se pode andar de barco a remos e bancos dedicados a cada província espanhola, todos decorados com azulejos que contam a sua história.
Ao lado estende-se o Parque de María Luisa, com sombras, fontes e pombas, perfeito para uma caminhada antes do calor apertar. Se gosta de arqueologia, o Museu Arqueológico fica no próprio parque.
Almoço: Metropol Parasol e Alfalfa
Volte ao centro para conhecer o Metropol Parasol, que os sevilhanos chamam simplesmente Las Setas (os cogumelos). É uma enorme estrutura de madeira, inaugurada em 2011, que cobre a Praça da Encarnação. Lá em cima há um passadiço com vista sobre a cidade; em baixo, um mercado e vestígios romanos visíveis no subsolo.
Daqui, os bairros da Alfalfa e da Feria estão cheios de bares de tapas frequentados por locais, onde se come bem sem as multidões do centro monumental.
Tarde: Triana
Atravesse a Ponte de Isabel II, conhecida como Ponte de Triana, e está noutro mundo. Triana foi bairro de marinheiros, oleiros e artistas de flamenco, e ainda guarda esse espírito. Comece pelo Mercado de Triana, construído sobre as ruínas do Castelo de San Jorge, antiga sede da Inquisição, que pode visitar no subsolo.
Depois, percorra a rua Betis, de frente para o rio, e entre nas oficinas e lojas de cerâmica da zona da rua San Jorge e arredores. Os azulejos de Triana decoram meio Sevilha, e há quem leve uma peça para casa como recordação.
Noite: tapas à beira-rio
Termine o roteiro com tapas numa esplanada da rua Betis, com a Torre do Ouro e a Giralda iluminadas do outro lado do rio. É difícil pensar numa despedida melhor.
Quando ir a Sevilha
- Primavera (março a maio): a melhor altura. As laranjeiras estão em flor e o clima é agradável. A Semana Santa e a Feria de Abril são momentos únicos, mas a cidade enche e os preços sobem muito.
- Outono (outubro e novembro): excelente alternativa, com temperaturas amenas e menos gente.
- Inverno: suave e tranquilo, com dias curtos mas muitas vezes solarengos.
- Verão: Sevilha é uma das cidades mais quentes da Europa. Em julho e agosto, as tardes podem ser muito difíceis; se for nesta altura, visite de manhã cedo e ao fim do dia.
Dicas para um roteiro de Sevilha sem stress
- Horários espanhóis: almoça-se tarde, entre as 14h e as 16h, e janta-se depois das 21h. Ajuste o dia a este ritmo.
- Siesta: algumas lojas pequenas fecham a meio da tarde, sobretudo no verão.
- Calçado confortável: o centro histórico tem calçada irregular e as distâncias somam-se.
- Bilhetes online: Alcázar, Catedral e espetáculos de flamenco devem ser reservados com antecedência, sobretudo ao fim de semana.
- Água sempre à mão: mesmo na primavera, o sol de Sevilha engana.
Antes de ir
- Leve o cartão de cidadão ou o passaporte válido (Espanha faz parte do espaço Schengen).
- Peça o Cartão Europeu de Seguro de Doença antes de viajar.
- Se for de carro, informe-se sobre as zonas de estacionamento e restrições de circulação no centro histórico.
- Reserve o Alcázar para a manhã do primeiro dia e a Catedral para a tarde, para não perder tempo em filas.
- Confirme datas de Semana Santa e Feria se não quiser apanhar (ou se quiser apanhar) a cidade em festa.
- Deixe uma noite para flamenco e outra para tapas em Triana.
Continue a viagem
Sevilha prova que as melhores cidades se descobrem a pé, devagar, com paragens para comer e conversar. Se gosta deste ritmo, leia também o nosso passeio por Mónaco a pé, do Rochedo ao porto, outra cidade mediterrânica que se percorre de uma ponta à outra com sapatos confortáveis e sem pressa.