Hurghada, Marsa Alam ou Sharm el-Sheikh? As três estâncias do Mar Vermelho egípcio têm recifes de coral e sol quase garantido, mas são muito diferentes em ambiente, mergulho e facilidade para juntar o Nilo. Ajudamos a escolher.
Sol no inverno, água transparente e recifes de coral a poucos metros da areia: o Mar Vermelho no Egito é um dos destinos de praia mais procurados por quem parte de Portugal, sobretudo entre o outono e a primavera. Mas a escolha da estância muda muito a viagem. Hurghada é a mais animada e a mais bem ligada ao Nilo; Marsa Alam é a mais tranquila e selvagem, com tartarugas e recifes intactos; Sharm el-Sheikh, já na península do Sinai, é a das grandes paisagens de mergulho e das montanhas. Neste artigo comparamos as três e explicamos como combinar uns dias de praia com Luxor e o Nilo.
Porque é que o Mar Vermelho é tão especial
O Mar Vermelho é um mar estreito e comprido, encaixado entre África e a Península Arábica, com muito pouca chuva e quase nenhum rio a desaguar. O resultado é uma água de visibilidade excelente e recifes de coral que começam, em muitos sítios, logo à beira da praia. Para quem nunca fez snorkel, é dos lugares do mundo onde se pode pôr a máscara pela primeira vez e ver, de imediato, peixes-papagaio, peixes-palhaço e corais de todas as cores.
Do lado de terra, a paisagem é desértica: montanhas ocres, areia e céu limpo. As estâncias egípcias vivem sobretudo de hotéis com praia própria, muitos deles com regime de tudo incluído, e de excursões de barco, mergulho e passeios no deserto.
Hurghada: a mais completa e a mais perto do Nilo
Como é
Hurghada é a maior estância da costa africana do Mar Vermelho. Estende-se ao longo de muitos quilómetros de costa, com hotéis de todos os tamanhos, uma marina com restaurantes e bares, e zonas mais tranquilas a sul, como Sahl Hasheesh e Makadi Bay. A norte fica El Gouna, uma pequena cidade-lagoa de canais e casas baixas, com um ambiente mais cuidado e mais caro.
Mar e mergulho
Muitos hotéis têm recifes junto à praia, mas o melhor snorkel faz-se de barco, nas ilhas Giftun, uma área protegida a pouca distância da costa, com água turquesa e recifes rasos. Para mergulhadores, Hurghada é também um bom ponto de partida para cruzeiros de mergulho e para alguns naufrágios conhecidos.
Para quem é
É a escolha mais versátil: funciona para famílias, casais e grupos de amigos, tem oferta para todos os orçamentos e muitas ligações aéreas internacionais. É também a mais prática para juntar o Nilo, porque Luxor fica a cerca de quatro horas de estrada. Há excursões de um dia de Hurghada a Luxor, mas são muito longas; o ideal é passar pelo menos uma ou duas noites em Luxor.
O que pode não gostar
Em algumas zonas, a construção é intensa e a cidade pouco tem de charme. Quem procura sossego deve escolher bem a localização do hotel.
Marsa Alam: a mais tranquila e natural
Como é
Marsa Alam fica bastante mais a sul, e o ambiente é outro: hotéis espaçados ao longo da costa, deserto até à linha da água e pouca vida noturna. Muitos alojamentos são resorts isolados, alguns em estilo ecológico, com recifes à porta. Tem aeroporto próprio, com voos internacionais, o que evita longas transferências por estrada.
Mar e mergulho
É o paraíso de quem quer passar o dia dentro de água. A baía de Abu Dabbab é famosa pelas tartarugas-verdes que se alimentam nos prados de ervas marinhas e, com sorte, por um ou outro dugongo, um mamífero marinho raro que lá aparece de vez em quando, sem garantias. Mais ao largo, recifes como Elphinstone atraem mergulhadores experientes à procura de tubarões. Para sul fica o Parque Nacional de Wadi el Gemal, com praias pouco tocadas e paisagens de deserto.
Para quem é
Para casais, mergulhadores, praticantes de snorkel e quem procura descanso puro. Para famílias com crianças pequenas também pode funcionar bem, desde que o resort tenha boas condições, porque fora dele há pouco para fazer.
O que pode não gostar
As distâncias são grandes e há pouca oferta fora dos hotéis. Ir a Luxor a partir de Marsa Alam é possível, mas mais demorado do que a partir de Hurghada.
Sharm el-Sheikh: mergulho de classe mundial e montanhas do Sinai
Como é
Sharm el-Sheikh fica na ponta sul da península do Sinai, do outro lado do golfo de Suez. É uma estância grande, com zonas de hotéis ao longo da costa, a animada Naama Bay e o centro antigo, com o seu mercado. O cenário é diferente do resto do Egito: as montanhas do Sinai, escuras e recortadas, caem quase sobre o mar.
Mar e mergulho
Sharm el-Sheikh é sinónimo de mergulho. A poucos quilómetros fica o Parque Nacional de Ras Mohammed, com paredes de coral que descem a pique e grandes cardumes, e no estreito de Tiran há recifes muito conhecidos. Os mergulhadores com experiência fazem também excursões ao Thistlegorm, um navio britânico afundado durante a Segunda Guerra Mundial, considerado um dos naufrágios mais famosos do mundo. Para quem faz só snorkel, muitos hotéis têm recifes com pontões que levam diretamente à zona de coral.
Para quem é
Para quem mergulha a sério, para quem quer vida noturna e para quem tem curiosidade pelo Sinai: a partir de Sharm organizam-se excursões ao Mosteiro de Santa Catarina e à subida noturna do Monte Sinai, para ver o nascer do sol lá em cima. Dahab, uma vila mais descontraída a norte, também é um passeio popular.
O que pode não gostar
Sharm el-Sheikh fica longe do vale do Nilo. Para juntar Luxor ou o Cairo, quase sempre é preciso um voo interno. Em termos de entrada no país, as regras para quem fica apenas no sul do Sinai podem ser diferentes das do resto do Egito: confirme as condições em vigor no Portal das Comunidades Portuguesas antes de viajar, sobretudo se pensar sair da península.
Comparação rápida
- Ambiente: Hurghada é urbana e animada; Marsa Alam é calma e isolada; Sharm el-Sheikh é animada e mais virada para o mergulho.
- Snorkel a partir da praia: bom em muitos hotéis de Marsa Alam e Sharm el-Sheikh; em Hurghada depende muito da zona, e as ilhas Giftun são o ponto alto.
- Mergulho: Sharm el-Sheikh e Marsa Alam são as preferidas dos mergulhadores experientes; Hurghada tem muita oferta para iniciação.
- Fora do hotel: Hurghada e Sharm el-Sheikh têm restaurantes, bares e lojas; Marsa Alam tem pouco.
- Ligação ao Nilo: Hurghada é a mais prática, por estrada até Luxor; Marsa Alam é possível mas mais longa; Sharm el-Sheikh obriga quase sempre a avião.
Como combinar o Mar Vermelho com o Nilo
A combinação mais clássica é começar pela cultura e acabar na praia. Primeiro o Cairo e as pirâmides, depois Luxor e, se houver tempo, Assuão, com um cruzeiro ou uma tarde de felucca pelo meio. No fim, alguns dias de descanso no Mar Vermelho antes do voo de regresso. Com Hurghada, a ligação a partir de Luxor faz-se por estrada; com Sharm el-Sheikh, por avião.
Em Luxor, a nossa experiência O Nilo em felucca junta numa só jornada o templo de Karnak ao amanhecer, o Vale dos Reis com um egiptólogo e duas horas de vela ao pôr do sol. É um bom dia para encaixar antes de seguir para a costa. Para perceber como organizar Luxor, Assuão e o Nilo, o Guia do Egito para lá das pirâmides dá uma visão de conjunto, e em O Nilo à vela, ao ritmo do vento contamos como é uma tarde de felucca.
Quando ir ao Mar Vermelho
A costa do Mar Vermelho tem sol quase todo o ano. No inverno, os dias são amenos e agradáveis para a praia, mas a água arrefece e as noites podem ser frescas, sobretudo com vento. Na primavera e no outono, o ar e a água estão quentes sem o calor extremo do verão. Entre junho e setembro, as temperaturas sobem muito, embora a brisa do mar ajude. Para quem quer juntar o Nilo, os meses de outubro a abril são os mais equilibrados, porque Luxor e Assuão também estão mais suportáveis.
Antes de ir
- Escolher a estância: Hurghada para versatilidade e ligação ao Nilo; Marsa Alam para natureza e sossego; Sharm el-Sheikh para mergulho e Sinai.
- Localização do hotel: em todas as estâncias, confirme se o hotel tem recife acessível a partir da praia ou de um pontão, e a distância ao aeroporto.
- Proteger o recife: use protetor solar que não prejudique o coral, não toque nem pise os corais e não alimente os peixes.
- Calçado de água: útil em praias com pedra ou coral morto à entrada da água.
- Mergulho: escolha centros certificados e leve o certificado e o registo de mergulhos, se os tiver.
- Documentos: confirme as regras de entrada e visto em vigor para a sua nacionalidade e para o percurso que vai fazer, sobretudo se combinar o Sinai com o resto do país.
Planear o Egito com a Iguana
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