Sintra, Arrábida, Comporta, Óbidos, Berlengas, Tomar, Évora e Monsaraz: oito escapadinhas perto de Lisboa para um fim de semana sem grandes viagens, com ideias para casais, famílias e quem só quer abrandar.
Sexta-feira ao fim da tarde, mochila no banco de trás, e a cidade a ficar para trás no espelho. Não é preciso apanhar um avião para mudar de cenário: as melhores escapadinhas perto de Lisboa estão a uma hora, hora e meia de distância, e vão da serra húmida ao areal sem fim, das muralhas medievais ao silêncio da planície. Reunimos oito ideias para um fim de semana perto de Lisboa, todas a menos de duas horas de carro (sem trânsito), com o que fazer, quando ir e para quem fazem mais sentido.
Como escolher a escapadinha certa
Antes da lista, três perguntas rápidas ajudam a decidir:
- Quer mar, campo ou património? A costa a sul do Tejo é para areia e peixe grelhado; o Oeste e o Ribatejo para vilas e monumentos; o Alentejo para abrandar.
- Quanto tempo de estrada aceita? Até uma hora, fica com Sintra, Arrábida e Óbidos. Até duas, abre-se Évora, Tomar e Monsaraz.
- Em que estação vai? No verão, a costa enche e o Alentejo aquece muito. Na primavera e no outono, quase tudo está no seu melhor.
Sintra: a serra das histórias
É a escapadinha clássica e por boas razões. A menos de uma hora de Lisboa, de carro ou de comboio a partir do Rossio, Sintra junta palácios, quintas românticas e uma serra coberta de musgo onde o nevoeiro entra e sai como quer. A Paisagem Cultural de Sintra é Património Mundial da UNESCO.
O segredo é fugir das horas de ponta. Chegue cedo, compre os bilhetes dos palácios online e deixe a tarde para caminhar pela serra, longe das filas. Ao fim do dia, desça até à costa, à Praia da Adraga ou ao Cabo da Roca, para ver o sol cair no Atlântico. Quem dorme em Sintra descobre outra vila, quieta e quase secreta, quando os autocarros de excursão já partiram.
Arrábida e Azeitão: serra verde, mar turquesa
Atravessa-se a Ponte 25 de Abril e, em pouco mais de meia hora, o cenário muda por completo. A Serra da Arrábida cai a pique sobre um mar de cor improvável, com praias como a Figueirinha, o Creiro ou o Portinho da Arrábida. Na época balnear, a Câmara de Setúbal condiciona o acesso de carro a parte destas praias (o programa "Arrábida sem Carros") e aposta em transportes alternativos, e alguns acessos estão fechados por risco de derrocada, por isso confirme as regras em vigor antes de ir. Fora do verão, a serra é ainda mais bonita para caminhar.
Do outro lado da serra fica Azeitão, terra de queijo, moscatel e quintas vinícolas abertas a visitas. Um fim de semana aqui pode ser praia de manhã, prova de vinhos à tarde e jantar de peixe em Setúbal, onde o choco frito é quase uma instituição.
Comporta: o sul que parece longe
A cerca de uma hora e pouco de Lisboa, a Comporta e a costa até Melides são o refúgio de quem quer areais imensos, arrozais, cegonhas e casas de madeira à beira da estrada. É um destino de verão por excelência, mas na primavera e no início do outono tem uma luz e uma calma difíceis de bater.
É também uma ótima escapadinha romântica: passeios a cavalo na praia, pôr do sol sobre os arrozais e jantares sem pressa. Reserve alojamento cedo nos meses quentes, porque a procura é grande e a oferta limitada.
Óbidos e Peniche: muralhas e ilha
Óbidos fica a cerca de uma hora a norte. A vila cabe dentro de muralhas que se podem percorrer a pé, com casas brancas debruadas de azul e amarelo e buganvílias a cair das varandas. Prove a ginjinha num copo de chocolate e perca-se pelas ruas secundárias, onde há menos gente.
A meia hora de distância fica Peniche, de onde partem os barcos para as Berlengas. O arquipélago é Reserva Natural e o acesso à ilha da Berlenga está limitado a 550 visitantes em simultâneo, com registo prévio obrigatório na plataforma BerlengasPass, do ICNF, e uma taxa de visitação. As travessias funcionam sobretudo na época quente e dependem do estado do mar. Vale cada minuto: falésias de granito avermelhado, água transparente e o Forte de São João Baptista pousado sobre o mar.
Tomar: templários e convento
A cerca de hora e meia de Lisboa, Tomar foi a sede da Ordem dos Templários e, depois, da Ordem de Cristo. O Convento de Cristo, no alto da cidade, é Património Mundial e um dos monumentos mais impressionantes do país, da charola templária à famosa janela manuelina do capítulo.
Lá em baixo, a cidade é tranquila, atravessada pelo rio Nabão e com uma mata ribeirinha perfeita para uma caminhada. Se puder, aponte para 2027: a Festa dos Tabuleiros, que se realiza de quatro em quatro anos, está prevista para julho de 2027, com datas a confirmar pela Câmara Municipal de Tomar.
Évora: a cidade-museu
Pouco mais de hora e meia de autoestrada separa Lisboa de Évora, e a sensação é de ter viajado muito mais. O centro histórico, Património Mundial, guarda o Templo Romano, a Sé, a Capela dos Ossos e ruas caiadas onde apetece andar sem destino.
Em 2027, Évora é Capital Europeia da Cultura, com a programação a arrancar em fevereiro desse ano, segundo a organização. O lema escolhido é "Vagar", uma palavra muito alentejana que resume bem o espírito de qualquer fim de semana por aqui. Junte-lhe uma visita ao Cromeleque dos Almendres, nos arredores, e um jantar de cozinha alentejana, e o fim de semana fica completo.
Monsaraz e o Alqueva: o Alentejo que se escuta
No limite das duas horas, Monsaraz é uma das aldeias mais bonitas do país: uma rua de xisto e cal no alto de um monte, com o castelo a vigiar o grande lago do Alqueva lá em baixo. Ao fim da tarde, a luz pinta a planície de dourado e o silêncio é tão grande que se ouve o vento nas oliveiras.
A poucos quilómetros fica São Pedro do Corval, a maior comunidade oleira da Península Ibérica. Contámos a nossa visita às oficinas da vila em O Alentejo não se visita. Escuta-se., e é exatamente esse o espírito: abrandar, entrar devagar, conversar. Se quiser viver o ofício por dentro, a nossa experiência Barro, mesa e memória leva um grupo de até oito pessoas a uma oficina com um mestre oleiro, com aula prática à roda e almoço numa herdade familiar, com partida de Estremoz.
Ideias por tipo de viajante
Para casais
Comporta, Monsaraz e Sintra são as escolhas mais românticas. Um pôr do sol sobre os arrozais, uma noite de céu estrelado no Alentejo ou um jantar numa quinta da serra fazem uma escapadinha romântica sem grande esforço.
Para famílias
Óbidos e as Berlengas têm aventura para todas as idades: muralhas, barcos, faróis, gaivotas. A Arrábida, com praias de água calma, é outra boa aposta no verão.
Para quem gosta de cultura
Évora e Tomar, sem hesitar. Dois fins de semana diferentes, mas com património de primeira linha e cidades que se percorrem a pé.
Para quem só quer descansar
Escolha uma casa de campo no Alentejo, desligue o telemóvel e não faça planos. É, muitas vezes, a melhor escapadinha de todas.
Antes de ir
- Evite as horas de saída: sexta ao fim da tarde e domingo ao fim do dia, as saídas de Lisboa congestionam. Sair cedo no sábado poupa tempo e paciência.
- Reserve com antecedência: em feriados, pontes e no verão, os alojamentos das zonas mais procuradas esgotam depressa.
- Confirme horários e bilhetes: palácios, museus e monumentos têm dias de encerramento e, em alguns casos, venda online com horário marcado.
- Berlengas: registe-se no BerlengasPass antes de comprar a travessia e confirme a previsão do mar.
- Leve camadas: a serra de Sintra e a costa podem estar frescas mesmo quando Lisboa está quente, e o Alentejo aquece muito no verão.
- Pense no comboio: Sintra faz-se bem sem carro e evita a dor de cabeça do estacionamento.
Continue a viagem pelo Alentejo
Se uma destas escapadinhas o deixou com vontade de abrandar a sério, comece pelo Alentejo. Leia a nossa história sobre os oleiros de São Pedro do Corval em O Alentejo não se visita. Escuta-se. e descubra como transformar um fim de semana perto de Lisboa numa viagem feita de pessoas, mesas compridas e tempo.