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Roteiro · Costa Vicentina (Alentejo e Algarve)

Costa Vicentina em cinco dias, de Porto Covo ao Cabo de São Vicente

Primavera e outono · 5 dias

Costa Vicentina em cinco dias, de Porto Covo ao Cabo de São Vicente

Durante muito tempo, esta costa ficou à margem de tudo: longe das estradas principais, varrida pelo vento, com um mar demasiado bravo para o veraneio fácil. Foi isso que a salvou. Hoje é a faixa de litoral protegido mais longa do país, dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, e estende-se de São Torpes, a sul de Sines, até Burgau, já na costa sul do Algarve. Não há aqui torres de apartamentos nem marginais iluminadas. Há arribas, praias escondidas no fundo dos vales, aldeias caiadas e um trilho que segue a beira das falésias. Cinco dias, de norte para sul, chegam para a percorrer sem pressa e acabar onde a Europa acaba, no Cabo de São Vicente.

  1. 01

    Dia 1 · Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro

    Comece em Porto Covo, a aldeia que marca a entrada no parque. As casas são brancas, com barras azuis, e as ruas vão dar todas ao largo central e às pequenas enseadas lá em baixo, encaixadas entre rochas. Passe a manhã a saltar de praia em praia: são curtas, abrigadas, e cada uma tem o seu feitio.

    À tarde, siga a pé para sul pelo caminho da arriba até à Ilha do Pessegueiro. Na ilha ficam as ruínas de um forte e vestígios bem mais antigos, de tanques romanos de salga de peixe; em terra, mesmo em frente, outro forte fazia par com o primeiro na defesa desta costa. É o primeiro contacto com o Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina, o percurso pedestre que segue o litoral até ao Cabo de São Vicente.

    Dica local: Fique para o pôr do sol na praia em frente à ilha. Com a maré baixa, a luz rasante acende as rochas e o forte recorta-se contra o mar.

  2. 02

    Dia 2 · Vila Nova de Milfontes e as cegonhas do Cabo Sardão

    Vila Nova de Milfontes debruça-se sobre a foz do rio Mira, e é o rio que dá o tom ao dia. Da vila avista-se o velho forte junto à barra; do outro lado, a Praia das Furnas tem a água mais calma do estuário e é boa para quem viaja com crianças. Se lhe apetecer remar, há aluguer de canoas para subir o Mira com a maré.

    Depois do almoço, desça por Almograve até ao Cabo Sardão. Junto ao farol, as arribas caem a pique sobre o Atlântico e, nos rochedos lá em baixo, as cegonhas-brancas fazem ninho à beira-mar, um caso que o ICNF aponta como único: é o único sítio onde esta espécie nidifica em falésias costeiras. O melhor é ir no fim do inverno ou na primavera, quando os ninhos estão ocupados.

    Dica local: Leve binóculos e observe do caminho, sem se aproximar da borda. As arribas são de xisto e areia e desfazem-se com facilidade.

  3. 03

    Dia 3 · Zambujeira do Mar e Odeceixe, na fronteira

    A Zambujeira do Mar está pousada em cima da falésia, com a pequena capela de Nossa Senhora do Mar no promontório e a praia logo abaixo. Logo a norte fica a Entrada da Barca, o porto de pesca da aldeia, onde os barcos sobem a rampa e os restaurantes servem o peixe do dia e percebes apanhados nestas rochas.

    À tarde, continue até Odeceixe. A ribeira de Seixe faz aqui a fronteira entre o Alentejo e o Algarve, e na praia encontra o mar: de um lado, água doce e parada; do outro, as ondas. A aldeia sobe pela encosta até ao moinho de vento, de onde se vê o vale inteiro a correr para a praia.

    Dica local: Na maré baixa, a margem da ribeira em Odeceixe faz de piscina natural. É o banho mais tranquilo de toda a costa.

  4. 04

    Dia 4 · Aljezur, Arrifana e a costa do surf

    Em Aljezur, suba ao castelo, construído no período islâmico, para perceber como a vila nasceu à volta do rio. Cá em baixo, na terra arenosa do vale, cultiva-se a batata-doce de Aljezur, que tem Indicação Geográfica Protegida e aparece em pratos, doces e até em pão.

    Siga depois para a Praia da Arrifana, uma baía em meia-lua protegida por arribas altas, com um pequeno porto de pesca num dos cantos e escolas de surf no areal. Na Ponta da Atalaia, logo a norte, ficam as ruínas do Ribat da Arrifana, um convento-fortaleza islâmico do século XII, o único conhecido em Portugal, segundo o Município de Aljezur. Ao fim da tarde, desça até à Carrapateira e faça a estrada do Pontal, entre a Praia da Bordeira, com as suas dunas, e a Praia do Amado, uma das mais procuradas por surfistas.

    Dica local: Mesmo sem prancha, vale a pena parar nos miradouros da estrada do Pontal ao fim do dia, quando as ondas chegam em séries e os surfistas esperam a sua vez lá em baixo.

  5. 05

    Dia 5 · Sagres e o Cabo de São Vicente

    O último dia começa em praias de pedra escura. A Praia do Castelejo e a vizinha Cordoama, junto a Vila do Bispo, têm areais largos riscados por rochas de xisto negro e são o retrato mais fiel desta costa: crua, aberta e quase sempre ventosa.

    Em Sagres, visite a Fortaleza de Sagres, ligada ao Infante D. Henrique, que morreu em Sagres em 1460, com a enorme rosa-dos-ventos desenhada no chão. Daí até ao Cabo de São Vicente são poucos quilómetros. A fortaleza do cabo foi erguida sobre um antigo convento, e o farol, ainda em funcionamento, é um dos mais potentes da Europa. É o ponto mais a sudoeste do continente europeu, e o lugar certo para ver o último pôr do sol da viagem.

    Dica local: Ao fim da tarde o cabo enche-se de gente. Se preferir sossego, veja o sol a cair nas arribas a meio caminho entre Sagres e o farol, e chegue ao cabo já com a luz a desaparecer.