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Roteiro · País Basco francês

Biarritz em cinco dias, entre ondas e memórias imperiais

Primavera e outono · 5 dias

Biarritz em cinco dias, entre ondas e memórias imperiais

Biarritz foi aldeia de baleeiros antes de ser estância de imperadores. Quando Napoleão III e a imperatriz Eugénia a escolheram para os verões, em meados do século XIX, a costa basca francesa ganhou casinos, villas e passeios à beira-mar. Um século depois chegaram as pranchas de surf. Hoje a cidade vive bem com as duas heranças: de manhã apanha-se uma onda, à tarde toma-se chá numa esplanada com vista para o Atlântico. Cinco dias chegam para a conhecer com calma e ainda espreitar Bayonne e Saint-Jean-de-Luz, aqui ao lado.

  1. 01

    Dia 1 · Grande Plage, Rocher de la Vierge e o farol

    Comece onde a cidade começou a ser chique: na Grande Plage, o grande areal em frente ao casino art déco. Siga a pé pelo passeio para sul, passe o pequeno Port des Pêcheurs e atravesse a passerelle metálica até ao Rocher de la Vierge. A estátua da Virgem está lá desde 1865 e, diz a lenda, agradece a salvação de pescadores apanhados por uma tempestade. Mesmo à frente fica o Aquarium de Biarritz, num edifício art déco dos anos 1930, com peixes, tubarões e focas do golfo da Biscaia.

    Ao fim da tarde, volte para norte até ao farol, no cabo Saint-Martin. São 248 degraus até ao topo, mas lá em cima a vista abrange a cidade inteira, a costa e, em dias limpos, os Pirenéus.

    Dica local: No verão, ao fim da tarde, os relvados junto ao farol enchem-se de gente que leva uma garrafa e espera pelo pôr do sol. Junte-se a eles.

  2. 02

    Dia 2 · Um dia de mar: surf e talassoterapia

    Foi na Côte des Basques, em 1957, que se surfou pela primeira vez em França, e a praia continua a ser a melhor sala de aula da cidade. As ondas são longas e as escolas de surf alinham-se no passeio; uma aula de manhã chega para ficar de pé na prancha (ou pelo menos para perceber porque é que toda a gente fala nisso). Com a maré cheia o areal quase desaparece, por isso confirme as marés antes de ir.

    À tarde, descanse como se descansava aqui no século XIX: com água do mar. Biarritz tem uma longa tradição de talassoterapia e vários centros com piscinas de água salgada aquecida, banhos e massagens. Se o tempo virar, a Cité de l'Océan, um museu interativo dedicado ao oceano e às ondas, é a alternativa certa.

    Dica local: Desça a escadaria da Côte des Basques ao pôr do sol, mesmo que não faça surf. Com sorte, a montanha basca recorta-se no horizonte, já do lado de Espanha.

  3. 03

    Dia 3 · A Biarritz imperial

    Dedique a manhã à cidade de Eugénia. O Hôtel du Palais, hoje um hotel de luxo, nasceu como a villa de verão do casal imperial e domina a ponta norte da Grande Plage. Perto, a Chapelle Impériale, mandada construir pela imperatriz, mistura influências mouriscas e bizantinas, e a igreja ortodoxa russa lembra os aristocratas que vinham do Leste passar o inverno ao sol. Os passeios pelas ruas de villas, entre o farol e o centro, mostram bem o gosto da época.

    Ao almoço, vá até Les Halles, o mercado coberto. Entre bancas de peixe, queijo de ovelha, presunto e pimento de Espelette, há balcões onde se petiscam pintxos de pé, com um copo de vinho de Irouléguy. De tarde, desça à Plage du Port Vieux, uma pequena enseada abrigada onde o mar costuma estar mais calmo.

    Dica local: Não saia da cidade sem provar o gâteau basque, um bolo de massa amanteigada recheado de creme ou de doce de cereja preta.

  4. 04

    Dia 4 · Bayonne, entre o Adour e o chocolate

    Bayonne fica a poucos minutos de autocarro e é outro mundo: uma cidade de rio, com casas altas de portadas vermelhas e verdes debruçadas sobre o Nive e o Adour. Comece na catedral de Sainte-Marie, gótica, classificada pela UNESCO como parte dos Caminhos de Santiago, e no seu claustro. Depois atravesse para o Petit Bayonne, o bairro do outro lado do Nive, onde está o Musée Basque, a melhor introdução à cultura, à língua e aos jogos tradicionais da região.

    Bayonne foi das primeiras cidades de França a fazer chocolate, uma tradição trazida no século XVII por judeus vindos da Península Ibérica. Ainda hoje há chocolatarias antigas onde se bebe um chocolate quente espesso como manda a regra. E não se vai embora sem levar presunto de Bayonne.

    Dica local: Se tiver carro, prolongue a tarde até Espelette, a aldeia onde as fachadas se cobrem de réstias de pimentos a secar no fim do verão.

  5. 05

    Dia 5 · Saint-Jean-de-Luz e o último pôr do sol

    O último dia é para o porto de pesca mais bonito da costa, a um pulo de comboio. Em Saint-Jean-de-Luz, Luís XIV casou-se com a infanta Maria Teresa de Espanha em 1660, na igreja de São João Batista, e a cidade ainda guarda a casa onde o rei ficou. Passeie pela rua pedonal, prove os macarons locais, almoce peixe no porto e dê um mergulho na baía abrigada.

    Para quem prefere montanha, a alternativa é La Rhune: um comboio de cremalheira de madeira sobe desde o Col de Saint-Ignace até ao cume, na fronteira com Espanha, com vista sobre toda a costa. Funciona da primavera ao outono.

    Regresse a Biarritz a tempo do fim da tarde e despeça-se onde começou, de frente para o mar, no Rocher de la Vierge.