Uma semana de carro pela maior ilha do Mediterrâneo: Palermo e os mosaicos dourados de Monreale, os templos gregos de Agrigento, o barroco de Noto e Ragusa, Ortigia em Siracusa e, para fechar, o Etna e Taormina.
A Sicília não é só uma ilha italiana: é um resumo do Mediterrâneo. Gregos, romanos, árabes, normandos e espanhóis passaram por aqui e todos deixaram marca, nos templos, nas igrejas, nos mercados e na comida. Este roteiro da Sicília em sete dias atravessa a ilha de oeste para leste, de Palermo a Taormina, com Agrigento, o barroco do sudeste e Siracusa pelo caminho. É uma semana cheia, mas feita a um ritmo que deixa tempo para almoços compridos e para um mergulho quando o mar chamar.
Como organizar a viagem
A forma mais prática de fazer este roteiro é de carro. Os comboios e autocarros ligam as cidades principais, mas os horários nem sempre ajudam e muitos dos melhores lugares ficam fora dos centros. O ideal é chegar a Palermo e partir de Catânia, ou vice-versa, para não ter de voltar atrás. Há ligações aéreas entre Portugal e os dois aeroportos, diretas ou com escala, conforme a companhia e a época do ano; vale a pena comparar antes de fixar o sentido da viagem.
Uma nota sobre conduzir: nas cidades, sobretudo em Palermo e em Catânia, o trânsito é caótico e muitos centros históricos têm zonas de acesso limitado, as ZTL, onde só entram residentes e autorizados. Deixe o carro no hotel ou num parque à entrada da cidade e explore a pé. Nas estradas entre cidades, a condução é bem mais tranquila.
Dia 1: Palermo
Palermo é intensa, barulhenta e irresistível. Comece pelos Quattro Canti, o cruzamento barroco que divide a cidade velha em quatro bairros, e siga até à catedral, onde estilos de vários séculos se sobrepõem na mesma fachada. Perto fica o Palácio dos Normandos, com a Capela Palatina, um pequeno interior revestido de mosaicos dourados e um teto de madeira trabalhado por artesãos árabes. É o melhor exemplo da Palermo árabe-normanda que a UNESCO classificou como Património Mundial.
À hora de almoço, mergulhe num dos mercados históricos, como Ballarò, onde os vendedores ainda apregoam o peixe e a fruta aos gritos. Prove a comida de rua da cidade: arancine (em Palermo diz-se no feminino), panelle, os bolinhos de grão-de-bico, e, para os mais aventureiros, o pani ca' meusa, um pão recheado de baço.
Dia 2: Monreale e Cefalù
De manhã, suba a Monreale, nas colinas sobre Palermo. A catedral normanda tem um dos maiores conjuntos de mosaicos dourados do mundo, com cenas bíblicas que cobrem as paredes de alto a baixo, e um claustro com colunas todas diferentes, umas lisas, outras torcidas, outras incrustadas de mosaico.
À tarde, siga pela costa norte até Cefalù, uma vila de pescadores encaixada entre uma rocha enorme e o mar. A catedral, também normanda, tem um Cristo Pantocrator em mosaico dourado que olha para quem entra. Termine o dia na praia junto à cidade velha ou a subir à Rocca para ver a costa lá de cima.
Dia 3: Segesta e o caminho para Agrigento
O terceiro dia é de estrada, mas com uma paragem que justifica o desvio: Segesta. No meio de colinas verdes, sem nada à volta, ergue-se um templo dórico quase intacto, um dos mais bem conservados do mundo grego. Um pouco acima fica o teatro antigo, com vista para o vale e, em dias limpos, para o mar.
Se tiver tempo e vontade, junte Erice, uma vila medieval no alto de um monte sobre Trapani, ou as salinas entre Trapani e Marsala, com os moinhos de vento ao pôr do sol. Depois, siga para sul em direção a Agrigento, onde vai dormir.
Dia 4: Vale dos Templos, em Agrigento
O Vale dos Templos é uma das grandes razões para visitar a Sicília. Apesar do nome, os templos gregos não estão num vale, mas sobre uma crista, alinhados com vista para o mar. O Templo da Concórdia é o mais famoso e um dos mais bem preservados de toda a Antiguidade grega. À volta há restos de outros templos, muralhas, necrópoles e oliveiras centenárias.
Vá cedo ou ao fim da tarde: no verão, o calor ao meio-dia é forte e há pouca sombra. Leve água e chapéu. Antes de seguir viagem, vale a pena uma passagem pela Scala dei Turchi, uma falésia de marga branca em degraus que desce até ao mar, a pouca distância de Agrigento. Confirme antes as regras de acesso, que têm mudado para proteger a rocha.
Dia 5: Villa Romana del Casale e o barroco do sudeste
A caminho do sudeste, faça um desvio pelo interior até Piazza Armerina para ver a Villa Romana del Casale. Os pavimentos desta casa de campo romana estão cobertos de mosaicos com cenas de caça, animais exóticos e as famosas "raparigas de biquíni", jovens a fazer exercício há mais de mil e quinhentos anos. É um dos conjuntos de mosaicos romanos mais impressionantes que se conhecem.
Depois, siga para o Val di Noto. Depois do terramoto de 1693, várias cidades do sudeste foram reconstruídas em estilo barroco, e oito delas formam hoje um Património Mundial da UNESCO. Ragusa Ibla, a parte antiga de Ragusa, desce em escadarias por uma encosta; Modica é famosa pelo chocolate feito de forma antiga, granuloso e aromático. Durma numa delas.
Dia 6: Noto e Siracusa
De manhã, passe por Noto, talvez a mais elegante das cidades barrocas, com uma avenida principal ladeada de palácios e igrejas de pedra cor de mel. A catedral, no topo de uma grande escadaria, é o ponto mais fotografado.
À tarde, chegue a Siracusa. Na Antiguidade foi uma das cidades mais poderosas do mundo grego, terra de Arquimedes. No Parque Arqueológico da Neápolis está o grande teatro grego e a Orelha de Dionísio, uma gruta artificial com uma acústica espantosa. Mas o coração da cidade é Ortigia, a ilha ligada ao continente por pontes, com a Piazza Duomo, onde a catedral foi construída por cima de um templo grego e ainda mostra as colunas originais embutidas nas paredes. Ao fim do dia, passeie pelo lungomare e jante peixe junto ao mar.
Dia 7: Etna e Taormina
O último dia é para o vulcão. O Etna é o vulcão ativo mais alto da Europa e domina toda a costa leste da ilha. A partir das estradas de acesso, pode caminhar por crateras extintas e campos de lava, ou subir mais alto de teleférico e veículo todo-o-terreno. As crateras do cume só se visitam com guia autorizado, e o acesso muda conforme a atividade do vulcão, por isso confirme as condições no próprio dia.
Termine em Taormina, empoleirada sobre o mar. O Teatro Antigo, de origem grega e remodelado pelos romanos, tem uma vista que junta a baía e, em dias limpos, o Etna ao fundo. O Corso Umberto, a rua principal, enche-se à noite. Para fechar a semana, uma granita com brioche numa esplanada é a despedida perfeita.
O que visitar na Sicília se tiver mais tempo
Sete dias chegam para o essencial, mas a Sicília tem muito mais. As ilhas Eólias, a norte, são um arquipélago vulcânico com Stromboli sempre a fumegar. A reserva do Zingaro, entre Palermo e Trapani, tem trilhos costeiros e enseadas de água transparente. Catânia, muitas vezes apenas o aeroporto de chegada, merece um dia pelo mercado do peixe e pelas igrejas de pedra negra de lava.
A Sicília também se vê a partir do mar. No Cruzeiro pelo Mediterrâneo: Malta, Grécia e Itália, há uma escala em Messina, na ponta nordeste da ilha, com a possibilidade de ir a Taormina ou ao Etna. É uma boa forma de provar a ilha antes de voltar para uma semana inteira.
Antes de ir
- Quando ir: primavera e outono são ideais, com temperaturas amenas e mar ainda bom para nadar em setembro e outubro. Julho e agosto são muito quentes, sobretudo no interior e nos sítios arqueológicos.
- Carro: alugue com seguro completo, evite conduzir nos centros históricos e respeite as ZTL, que são controladas por câmaras.
- Documentos: Itália está na União Europeia e no espaço Schengen; cidadãos portugueses viajam com cartão de cidadão ou passaporte válidos.
- Monumentos: compre online os bilhetes dos sítios mais procurados, como o Vale dos Templos e o Teatro Antigo de Taormina, nos sites oficiais, sobretudo na época alta.
- Igrejas: ombros e joelhos tapados; leve um lenço leve na mala.
- Etna: calçado fechado e um casaco, mesmo no verão. Lá em cima faz frio e vento.
- Comer: os horários são italianos. Almoço até meio da tarde e jantar a partir das 20:00.
Mais Mediterrâneo
A Sicília é uma das muitas portas do Mediterrâneo, um mar de ilhas, portos e cidades que guardam três mil anos de história. Para ver as nossas viagens na região, visite o destino Mediterrâneo.