Cinco dias chegam para conhecer o melhor de São Miguel sem pressa: Ponta Delgada, Sete Cidades, Lagoa do Fogo, Caldeira Velha, Furnas, o chá da costa norte e os miradouros do Nordeste. O roteiro, dia a dia, com dicas práticas.
São Miguel é a maior ilha dos Açores e a porta de entrada de quase todas as viagens ao arquipélago. Tem lagoas dentro de crateras, água quente a brotar da terra, chá a crescer em encostas viradas para o mar e uma capital, Ponta Delgada, que se percorre a pé numa tarde. Este roteiro de São Miguel, Açores, em cinco dias foi pensado para uma primeira visita com carro alugado: um dia para Ponta Delgada e arredores, um para Sete Cidades, um para a Lagoa do Fogo e a costa norte, um para as Furnas e um para o Nordeste e Vila Franca do Campo. São distâncias curtas, mas as estradas sobem e descem e o tempo muda depressa, por isso o plano deixa folga para trocar dias consoante as nuvens.
Antes de começar: carro, base e tempo
Para ver a ilha em cinco dias, o carro é quase indispensável. Os autocarros ligam as principais localidades, mas com horários pensados para quem lá vive, e muitos miradouros ficam longe de qualquer paragem. Reserve o carro cedo se viajar no verão.
Ponta Delgada é a base mais prática: tem o aeroporto, a maior oferta de alojamento e restaurantes, e fica a menos de uma hora da maior parte dos sítios deste roteiro. Quem preferir sossego pode passar as duas últimas noites nas Furnas.
Sobre o tempo, a regra açoriana é simples: pode haver quatro estações num dia. Antes de subir a um miradouro, veja as câmaras em direto que mostram as lagoas e os principais pontos da ilha. Se Sete Cidades estiver coberta de nevoeiro, troque o dia pelo das Furnas e volte depois.
Dia 1: Ponta Delgada e a costa sul
Comece pelo centro histórico de Ponta Delgada, a pé. As Portas da Cidade, os três arcos que se tornaram o símbolo da ilha, ficam junto ao mar, e a partir daí sobem ruas de calçada preta e branca até às igrejas de fachada em basalto escuro e cal. Vale a pena entrar na Igreja Matriz de São Sebastião e passar pelo Mercado da Graça, onde se compram ananás, queijos e maracujás da ilha.
À tarde, visite uma das estufas de ananás nos arredores da cidade. O ananás dos Açores cresce em estufas caiadas, num processo lento que leva cerca de dois anos, e é muito mais aromático do que o importado. Termine o dia na marina ou nas Portas do Mar, à beira da água, ou siga para a Lagoa, a vila vizinha, onde há piscinas naturais junto ao mar.
Dia 2: Sete Cidades e a ponta oeste
Sete Cidades é a imagem mais conhecida dos Açores: uma enorme cratera vulcânica com duas lagoas, uma azul e outra verde, separadas por uma ponte estreita. O melhor ponto de vista é o Miradouro da Vista do Rei, no rebordo da caldeira, mas não é o único. O Miradouro da Boca do Inferno, a que se chega por um curto caminho a pé, dá a vista mais completa sobre as lagoas e as crateras vizinhas.
Depois, desça à aldeia de Sete Cidades, no fundo da cratera. Pode caminhar à volta das lagoas, alugar uma canoa ou um caiaque no verão e almoçar num dos restaurantes da aldeia. Quem gosta de caminhar tem aqui um dos percursos pedestres mais bonitos da ilha, ao longo do rebordo da caldeira.
À tarde, siga para a costa oeste. A Ponta da Ferraria tem uma piscina natural no mar onde brota água quente do fundo, mas o banho depende da maré e do estado do mar; em dias de ondulação, é perigoso. Os Mosteiros, mais a norte, têm ilhéus de basalto no mar e um dos melhores pores do sol da ilha.
Dia 3: Lagoa do Fogo, Caldeira Velha e a costa norte
Suba de manhã cedo à Lagoa do Fogo, no centro da ilha. É a lagoa mais selvagem de São Miguel, numa cratera sem casas nem estradas lá em baixo, com uma praia de areia clara junto à água. O miradouro fica à beira da estrada; quem tiver tempo e pernas pode descer a pé até à margem.
Do outro lado da serra, na encosta norte, fica a Caldeira Velha, um pequeno parque no meio de fetos arbóreos, com uma cascata de água quente e poças termais. Tem número de visitantes controlado, entrada paga e horários por turnos; compre o bilhete com antecedência na bilheteira dos Parques Naturais dos Açores, sobretudo no verão.
A seguir, desça até à Ribeira Grande, a segunda cidade da ilha, com um centro de casas brancas e cantaria escura. A costa norte tem praias de areia negra muito procuradas pelos surfistas. Continue para leste até à Gorreana, uma plantação de chá fundada no século XIX que ainda funciona e se visita gratuitamente. Ver as fileiras de chá a descer em direção ao mar é das imagens mais inesperadas da ilha.
Dia 4: Furnas, o vale que ferve
As Furnas são o lugar onde se percebe que os Açores ainda estão vivos. No centro da vila, as caldeiras deitam vapor e água a ferver, e o ar cheira a enxofre. Junto à Lagoa das Furnas, nas caldeiras da margem norte, os restaurantes da vila enterram de manhã panelas de cozido na terra quente, que ficam a cozinhar com o calor vulcânico durante várias horas. Pode assistir ao momento em que as panelas saem da terra, por volta da hora de almoço, e depois prová-lo num dos restaurantes da vila; reserve se for no verão.
Dê a volta à lagoa a pé ou de carro e passe pela capela neogótica na margem sul. À tarde, é hora de termas. O Parque Terra Nostra é um jardim botânico histórico, com árvores enormes, fetos e camélias, e uma grande piscina de água termal cor de ferrugem. A Poça da Dona Beija é mais pequena e informal, com várias piscinas a temperaturas diferentes. Leve um fato de banho escuro: a água rica em ferro pode deixar manchas.
Se tiver tempo, o Miradouro do Pico do Ferro dá uma vista geral do vale e da lagoa.
Dia 5: Nordeste e Vila Franca do Campo
O último dia é para a ponta leste, a parte mais verde e menos visitada da ilha. O concelho do Nordeste é conhecido pelos miradouros ajardinados, como o da Ponta do Sossego e o da Ponta da Madrugada, com canteiros de flores à beira de falésias. O Farol do Arnel e a Ribeira dos Caldeirões, com cascatas e moinhos antigos, completam o dia.
Ao regressar a Ponta Delgada pela costa sul, pare em Vila Franca do Campo, a primeira capital da ilha. Em frente à vila fica o Ilhéu de Vila Franca, a cratera de um antigo vulcão parcialmente afundada no mar, com uma lagoa circular de água salgada no interior. Na época balnear há barcos para o ilhéu a partir do porto da vila, com lotação diária limitada e visitas em horários pré-definidos, e é um dos sítios mais bonitos para tomar banho nos Açores. Antes de ir embora, prove as queijadas de Vila Franca, a especialidade da vila.
Alternativas e extras
Se estiver em São Miguel entre a primavera e o outono, junte uma saída de observação de cetáceos a partir de Ponta Delgada ou de Vila Franca. Golfinhos são muito frequentes e há boas probabilidades de ver cachalotes e, na primavera, grandes baleias de passagem.
Se o tempo não ajudar, os dias de chuva são bons para as termas, para uma prova de chá na Gorreana ou para os museus de Ponta Delgada. E se preferir caminhar, troque parte de um dia por um dos percursos pedestres oficiais da ilha, todos sinalizados e descritos no site do turismo dos Açores.
Antes de ir
- Quando: de maio a outubro para dias mais longos e mar mais calmo; hortênsias em flor sobretudo no início do verão. No inverno a ilha é mais verde e mais vazia, mas mais chuvosa.
- Carro: reserve com antecedência no verão; as estradas são boas, mas sinuosas e com nevoeiro nas zonas altas.
- Tempo: consulte as câmaras em direto antes de subir a Sete Cidades e à Lagoa do Fogo; tenha um plano B.
- Termas: confirme horários e reservas da Caldeira Velha, do Terra Nostra e da Poça da Dona Beija nos sites oficiais; leve fato de banho escuro e toalha.
- Cozido das Furnas: reserve o restaurante na véspera em época alta.
- Na mala: casaco impermeável, camadas, calçado para caminhar e fato de banho, mesmo fora do verão.
- Ilhéu de Vila Franca: as visitas de verão têm lotação limitada; marque o barco cedo.
São Miguel em 5 dias, e depois?
Cinco dias dão para conhecer o essencial de São Miguel, mas é fácil sair de lá a pensar na ilha seguinte. Se quiser prolongar a viagem, o Pico, o Faial ou a Terceira estão a um voo curto de distância. A equipa da Iguana Tours pode ajudar a montar o roteiro, escolher a melhor época para o que quer ver e juntar mais ilhas ao plano.