Cinco dias chegam para conhecer o essencial do Rio de Janeiro sem correr: praias de Copacabana e Ipanema, Cristo Redentor, Pão de Açúcar, o Centro histórico, Santa Teresa e um dia na serra. O roteiro, dia a dia, com dicas práticas.
Há cidades bonitas e há o Rio de Janeiro, que parece ter sido desenhado por alguém que não sabia parar: montanhas de granito a cair no mar, uma floresta tropical no meio da cidade, praias que são salas de estar ao ar livre. Este roteiro do Rio de Janeiro em cinco dias foi pensado para uma primeira visita e responde à pergunta mais comum, o que fazer no Rio de Janeiro sem passar a viagem dentro de filas e táxis. Em resumo: um dia de praias da Zona Sul, um dia para o Cristo Redentor e Santa Teresa, um para o Centro histórico e o Pão de Açúcar, um para a natureza e um último fora da cidade. Ao longo do texto deixamos alternativas para quem prefere mais praia, mais cultura ou mais caminhadas.
Onde ficar no Rio para um roteiro de 5 dias
Para um primeiro roteiro, a escolha mais prática é a Zona Sul. Copacabana tem mais oferta e mais movimento, e fica bem servida pelo metro. Ipanema e o Leblon são mais tranquilos e mais caros, com ruas arborizadas e muitos restaurantes. Botafogo é uma boa alternativa intermédia, mais local, com vista para o Pão de Açúcar e ligação rápida ao Centro.
O metro liga a Zona Sul ao Centro e é a forma mais simples de atravessar a cidade de dia. No Centro, o VLT, o elétrico moderno, liga a zona portuária, a Praça Mauá e o aeroporto Santos Dumont. À noite, e para sítios fora do eixo do metro, use táxis ou transporte por aplicação.
Dia 1: Copacabana, Ipanema e o pôr do sol no Arpoador
Comece devagar, que a viagem desde Portugal é longa. A ideia do primeiro dia é perceber o ritmo da cidade a partir do sítio onde ela mais se mostra: a praia.
De manhã, caminhe pelo calçadão de Copacabana, com o desenho de ondas em pedra portuguesa que é um dos símbolos do Rio. Ao fundo, o Forte de Copacabana guarda a ponta da praia e tem um café com uma vista que vale a pausa. Depois, siga a pé ou de bicicleta até Ipanema, passando pela pedra do Arpoador.
A tarde é para a praia de Ipanema, com a montanha dos Dois Irmãos ao fundo. Aqui a praia organiza-se por "postos", os postos de salva-vidas numerados, e cada um tem o seu público. Alugue cadeira e guarda-sol a um dos vendedores, peça uma água de coco e deixe-se ficar.
Ao fim do dia, volte ao Arpoador para o pôr do sol. É um ritual carioca: centenas de pessoas sentadas nas rochas e, quando o sol desaparece atrás dos Dois Irmãos, muitas vezes há aplausos.
Dia 2: Cristo Redentor, Santa Teresa e Lapa
O Cristo Redentor, no alto do Corcovado, é a visita mais procurada da cidade, por isso convém ir cedo, antes das nuvens e dos grupos. Há três formas de subir: o comboio do Corcovado, o Trem do Corcovado, que sai do Cosme Velho e atravessa a Floresta da Tijuca; as vans oficiais, com partida de Copacabana, do Largo do Machado ou do centro de visitantes das Paineiras; ou um passeio organizado. Os bilhetes incluem o transporte e compram-se nos sites oficiais. Se o topo estiver coberto de nevoeiro, adie: com nuvens, não se vê nada.
Lá em cima, a escala da estátua impressiona, mas é a vista que fica: a Lagoa Rodrigo de Freitas, a baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, as praias da Zona Sul, tudo de uma vez.
Depois de descer, siga para Santa Teresa, o bairro boémio no alto da colina, com casarões antigos, ateliês, bares pequenos e ruas de paralelepípedo. O bonde, o elétrico histórico de Santa Teresa, é a forma mais charmosa de lá chegar ou de lá sair. Desça a pé até à Escadaria Selarón, os degraus cobertos de azulejos de dezenas de países que um artista chileno foi colocando durante anos.
À noite, a Lapa está ali ao lado, debaixo dos Arcos. É o bairro da música ao vivo, do samba e da noite longa. Vá a uma casa de samba recomendada e evite andar a pé por ruas vazias à saída.
Dia 3: Centro histórico e Pão de Açúcar
O Centro do Rio é muitas vezes saltado pelos visitantes, e é um erro, sobretudo para portugueses. Foi aqui que funcionou a corte portuguesa depois de 1808, e isso nota-se.
Comece na Praça XV e no Paço Imperial, siga para a Rua do Ouvidor e pare na Confeitaria Colombo, uma casa de chá com espelhos belgas e vitrais que parece saída de outro século. A poucos minutos fica o Real Gabinete Português de Leitura, uma biblioteca de estilo neomanuelino, com estantes de madeira até ao teto, que é dos interiores mais bonitos da cidade. Junte o Theatro Municipal, pelo menos por fora, e a Cinelândia.
Depois do almoço, apanhe o VLT até à Praça Mauá. A zona portuária foi renovada e tem o Museu do Amanhã, de arquitetura futurista à beira da baía, e o Museu de Arte do Rio. Ao longo do Boulevard Olímpico, os grandes murais coloridos merecem uma caminhada.
Ao fim da tarde, siga para a Urca e suba ao Pão de Açúcar no bondinho, o teleférico que sobe em duas etapas, primeiro ao Morro da Urca e depois ao topo. Chegar uma hora antes do pôr do sol é a melhor estratégia: vê a cidade com luz do dia, assiste ao pôr do sol e fica para ver as luzes a acenderem-se. Confirme os horários no site oficial do parque, porque variam ao longo do ano.
Dia 4: Floresta, lagoa e Jardim Botânico
O quarto dia mostra o lado verde do Rio. O Jardim Botânico, fundado por D. João VI, é um dos mais bonitos do mundo tropical: alamedas de palmeiras-imperiais, estufas, lagos com vitórias-régias e, com sorte, macacos-prego e tucanos. Reserve a manhã inteira.
A seguir, caminhe ou pedale à volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, com o Cristo sempre por cima. Os quiosques à beira da lagoa são bons para um almoço tardio.
Se gosta de caminhar, troque a lagoa por um trilho. O mais popular para visitantes é o do Morro Dois Irmãos, a partir do Vidigal, com uma vista ampla sobre Ipanema e o Leblon. Na Urca, a Pista Cláudio Coutinho é um passeio plano e fácil junto ao mar, ao pé do Pão de Açúcar. Para trilhos mais longos, como os da Floresta da Tijuca, vá com guia e informe-se sobre as condições do dia.
Termine com um jantar no Leblon ou em Botafogo, dois dos bairros com melhor oferta gastronómica.
Dia 5: um dia fora do Rio
Com cinco dias, vale a pena sair da cidade. A opção mais completa é Petrópolis, a cidade imperial na serra, onde a família imperial passava os verões. O Museu Imperial, instalado no antigo palácio de verão de D. Pedro II, a Catedral e as casas de estilo europeu mostram outro Brasil, mais fresco e mais verde.
Se preferir ficar perto do mar, atravesse a baía de barca até Niterói para ver o Museu de Arte Contemporânea de Óscar Niemeyer, pousado sobre o mar como uma nave, e a vista para o Rio do outro lado; confirme antes se o museu está aberto ao público, porque tem tido períodos de obras. Para quem quer só praia, a alternativa é passar o dia na Barra da Tijuca ou nas praias mais selvagens a oeste, como a Prainha.
Quando ir ao Rio de Janeiro
O verão carioca, de dezembro a março, é quente e húmido, com aguaceiros fortes ao fim da tarde. É também a época do Réveillon em Copacabana e do Carnaval; em 2027, a terça-feira de Carnaval é a 9 de fevereiro, e nessas datas os preços sobem muito e a cidade muda de ritmo. Para visitar com calor mas menos multidões, os meses de abril a junho e de agosto a outubro costumam ser os mais agradáveis.
Segurança e bom senso
O Rio pede os cuidados de uma grande cidade com desigualdades fortes. Não leve objetos de valor para a praia, use o telemóvel com discrição na rua, prefira táxis ou aplicações à noite e não entre em favelas sem um guia autorizado. Nas zonas turísticas, de dia, a cidade é movimentada e tranquila para quem segue estas regras básicas.
Antes de ir
- Documentos: os portugueses não precisam de visto para turismo no Brasil até 90 dias; viaje com passaporte válido e confirme as regras no Portal das Comunidades Portuguesas.
- Bilhetes: compre o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar nos sites oficiais (o do Trem do Corcovado ou das vans oficiais e o do Parque Bondinho Pão de Açúcar) e escolha um dia limpo para os dois.
- Fuso horário: o Rio está três horas atrás de Portugal continental no inverno e quatro no verão.
- Dinheiro: o cartão é aceite em quase todo o lado; leve algum dinheiro em reais para a praia e vendedores.
- Na mala: roupa leve, chinelos, fato de banho, protetor solar alto, repelente e um impermeável fino para os aguaceiros de verão.
- Ritmo: não marque o Cristo e o Pão de Açúcar para o primeiro dia; deixe uma margem caso o tempo não ajude.
Rio de Janeiro em 5 dias, e depois?
Cinco dias chegam para conhecer o essencial do Rio sem pressa, mas é fácil ficar com vontade de mais. Muitos viajantes juntam ao Rio uma extensão de praia em Paraty ou na Ilha Grande, ou um voo para o Nordeste. Se quiser ajuda para montar a viagem, escolher o bairro certo ou acrescentar mais uns dias de praia, a equipa da Iguana Tours pode desenhar o roteiro consigo.