Uma semana, um carro e o sul de Espanha à porta de casa. Propomos um roteiro pela Andaluzia em sete dias, de Sevilha a Córdoba e Granada, com regresso por Ronda e pelas aldeias brancas, e dicas para conduzir, reservar e evitar o calor.
Poucas viagens combinam tão bem com o carro como a Andaluzia. Sai-se de casa de manhã, atravessa-se o Guadiana e, à hora de almoço, já se está a pedir tapas numa esplanada de Sevilha. Este roteiro pela Andaluzia em sete dias foi pensado para quem parte de Portugal e quer ver o essencial sem passar a semana ao volante: Sevilha, Córdoba e Granada, as três grandes cidades do Al-Andalus, e um regresso mais lento por Ronda e pelas aldeias brancas da serra. É um percurso em anel, com etapas curtas e tempo para sentar.
Porquê de carro
A Andaluzia é grande e as suas maravilhas estão espalhadas. Há boas ligações de comboio e autocarro entre as cidades principais, mas o carro dá acesso ao que fica pelo meio: as aldeias brancas penduradas nas encostas, os miradouros sobre olivais infinitos, os desvios para almoçar numa venta de beira de estrada. Para quem vem de Portugal, tem a vantagem extra de dispensar voos e de permitir trazer a mala cheia de azeite e cerâmica no regresso.
A regra de ouro é simples: o carro serve para viajar entre cidades, não para andar dentro delas. Em Sevilha, Córdoba e Granada, deixe-o num parque ou no hotel e explore a pé.
O roteiro dia a dia
Dia 1: de Portugal a Sevilha
De Lisboa a Sevilha são cerca de 460 quilómetros, mais ou menos quatro horas e um quarto a quatro horas e meia de condução sem paragens. Do Algarve, a viagem encurta bastante. Chegue a tempo de um primeiro passeio pelo bairro de Santa Cruz ao fim da tarde e de um jantar de tapas.
Dia 2: Sevilha
Dedique o dia ao centro monumental. De manhã, o Real Alcázar, com os seus pátios mudéjares e jardins de laranjeiras (reserve o bilhete online, com hora marcada). À tarde, a Catedral, a maior catedral gótica do mundo, e a subida à Giralda, feita por rampas em vez de escadas. Ao fim do dia, atravesse o rio para Triana, o antigo bairro de oleiros e marinheiros, e termine com flamenco.
Se tiver mais tempo em Sevilha, junte a Plaza de España, construída para a Exposição Ibero-Americana de 1929, e o Metropol Parasol, a estrutura de madeira a que os sevilhanos chamam Las Setas.
Dia 3: Córdoba
Córdoba fica a cerca de hora e meia de Sevilha por autoestrada. Saia cedo para chegar à Mesquita-Catedral antes das multidões. Por dentro, a floresta de colunas e arcos bicolores, vermelhos e brancos, é uma das visões mais impressionantes de Espanha. No meio dela, quase de surpresa, ergue-se uma catedral renascentista construída no coração da antiga mesquita.
Depois, perca-se pela Judiaria, atravesse a Ponte Romana sobre o Guadalquivir para ver a cidade da outra margem e espreite os pátios floridos que fazem a fama da cidade. Se viajar em maio, apanha a Festa dos Pátios, quando as famílias abrem os seus pátios cheios de vasos ao público. Fique a dormir em Córdoba: à noite, a cidade esvazia e ganha outro encanto.
Quem tiver mais meio dia pode visitar Medina Azahara, a cidade palatina do califado nos arredores de Córdoba, classificada Património Mundial.
Dia 4: de Córdoba a Granada
A estrada entre as duas cidades atravessa um mar de olivais, numa viagem de cerca de duas horas. Pelo caminho, vale a pena uma paragem numa das vilas da serra de Córdoba ou numa cooperativa de azeite.
Chegue a Granada a tempo de subir ao Albaicín, o antigo bairro muçulmano, de ruas íngremes e casas brancas com jardins escondidos (os cármenes). O pôr do sol no Miradouro de São Nicolau, com a Alhambra a ficar cor de fogo e a Serra Nevada ao fundo, é um daqueles momentos que justificam a viagem inteira. À noite, prove a tradição de Granada de servir uma tapa com cada bebida, em muitos bares da cidade.
Dia 5: Granada e a Alhambra
O dia é da Alhambra. Os Palácios Nazaríes, com o Pátio dos Leões e o Pátio dos Arrayanes, são o expoente máximo da arte islâmica na Península Ibérica. Junte-lhes o Generalife, os jardins de verão dos sultões, e a Alcáçova, a parte militar, com vista sobre toda a cidade.
Atenção a três regras importantes. Os bilhetes esgotam com muita antecedência, sobretudo na primavera, por isso compre-os no site oficial da Alhambra logo que fechar as datas. São nominativos, e é preciso levar o documento de identificação. E a entrada nos Palácios Nazaríes tem hora marcada: se chegar tarde, pode perder o acesso.
À tarde, desça à cidade baixa para ver a Capela Real, onde estão sepultados os Reis Católicos, e a Catedral.
Dia 6: de Granada a Ronda
Hoje troca-se a cidade pela serra. Ronda é uma vila espetacular, construída à beira de um desfiladeiro profundo, o Tajo, atravessado pela Ponte Nova. Caminhe pela ponte, desça pelos trilhos até ao fundo da garganta para a ver de baixo e visite os banhos árabes, entre os mais bem conservados de Espanha.
A praça de touros de Ronda é uma das mais antigas do país e é também um marco da cidade, com museu. Fique a dormir em Ronda: ao fim do dia, as excursões vão-se embora e a vila fica para quem lá está.
Dia 7: aldeias brancas e regresso
O último dia é para conduzir devagar pela Serra de Grazalema, um parque natural de montanhas calcárias, pinsapos e aldeias brancas. Zahara de la Sierra, com o castelo no alto e a barragem turquesa a seus pés, e Grazalema, de ruas brancas e telhados avermelhados, são as paragens mais bonitas. Daqui, a estrada leva-o de volta a Sevilha e, depois, a Portugal.
Se preferir encurtar o regresso, siga para Sevilha por Arcos de la Frontera ou Jerez, terra do vinho de Xerez e dos cavalos andaluzes.
Variações do roteiro
- Andaluzia em 7 dias com mar: troque Ronda por Málaga e a Costa do Sol, ou junte um dia em Cádiz, uma das cidades mais antigas da Europa ocidental, cercada de mar.
- Mais tempo: com dez dias, acrescente Úbeda e Baeza, duas cidades renascentistas classificadas pela UNESCO, ou o deserto de Tabernas e o Cabo de Gata, em Almería.
- Menos tempo: em cinco dias, faça Sevilha, Córdoba e Granada e regresse por autoestrada.
Quando fazer este roteiro
- Primavera (março a maio): a melhor altura. Laranjeiras em flor, campos verdes, temperaturas agradáveis. Coincide com a Semana Santa e as grandes festas, por isso reserve cedo.
- Outono (outubro e novembro): excelente, com menos turistas e luz bonita.
- Inverno: suave nas cidades, mas a Serra Nevada pode ter neve e as estradas de montanha gelo.
- Verão: Sevilha e Córdoba estão entre as cidades mais quentes da Europa. Se só puder ir no verão, visite de manhã cedo e ao fim do dia e guarde as horas de calor para descansar.
Dicas para conduzir na Andaluzia
- Carta de condução portuguesa é válida em Espanha. Leve também os documentos do carro e o certificado de seguro.
- Zonas de baixas emissões: várias cidades espanholas têm zonas de acesso condicionado no centro, e algumas exigem registo prévio a veículos estrangeiros. Confirme as regras no site de cada câmara antes de entrar com o carro.
- Centros históricos: muitos têm acesso reservado a moradores e a clientes de hotéis com estacionamento. Pergunte ao alojamento como chegar e onde deixar o carro.
- Combustível e portagens: a maior parte das autovías espanholas não tem portagens, mas há algumas autoestradas pagas. Planeie a rota antes de sair.
- Estradas de montanha: as da Serra de Grazalema são estreitas e com muitas curvas. Calcule mais tempo do que o GPS indica.
Antes de ir
- Compre os bilhetes da Alhambra assim que tiver datas e leve o documento de identificação usado na compra.
- Reserve online o Real Alcázar de Sevilha e a Mesquita-Catedral de Córdoba.
- Escolha alojamentos com estacionamento ou com parque próximo, sobretudo nos centros históricos.
- Peça o Cartão Europeu de Seguro de Doença e verifique se o seguro do carro inclui assistência em viagem em Espanha.
- Leve calçado confortável: todas as cidades do roteiro se visitam a pé, muitas vezes a subir.
- Deixe sempre uma margem no plano para o imprevisto: um almoço que se prolonga, uma aldeia que pede mais uma hora.
Para quem gosta de viajar devagar
Este roteiro pela Andaluzia é uma boa amostra do que gostamos numa viagem: cidades que se percorrem a pé, mesas partilhadas e paisagens que pedem paragens. Se quer levar o mesmo espírito para o outro lado do estreito, veja o nosso roteiro de Marrocos em sete dias, que começa na medina de Marraquexe, onde o minarete da Koutoubia, construído pela mesma dinastia almóada que ergueu a Giralda, parece um irmão da torre de Sevilha.