Dez dias, um carro e um país pequeno que parece grande: de Tirana às cidades otomanas de Berat e Gjirokastër, das ruínas de Butrint às enseadas da Riviera. Um roteiro dia a dia, com tempos de estrada e conselhos práticos para conduzir na Albânia.
Dez dias chegam para conhecer o melhor do sul da Albânia de carro, sem correrias: a capital, duas cidades otomanas classificadas pela UNESCO, as ruínas de Butrint, a nascente do Olho Azul e a Riviera Albanesa do princípio ao fim. Este roteiro da Albânia faz um circuito a partir de Tirana, com noites seguidas em cada base para não passar a viagem a fazer e desfazer malas. As distâncias no mapa parecem curtas, mas as estradas de montanha e da costa pedem tempo, por isso cada dia tem no máximo umas três horas ao volante. É uma road trip para saborear, não para bater recordes.
Antes de arrancar: alugar carro na Albânia
Alugar carro na Albânia é simples e é, de longe, a forma mais livre de viajar pelo país. Os transportes públicos existem (autocarros e furgons, as carrinhas partilhadas), mas os horários são pouco claros e muitos dos sítios mais bonitos ficam longe das paragens.
Alguns pontos a ter em conta:
- Carta de condução: a carta portuguesa costuma ser aceite, mas há empresas e autoridades que pedem a licença internacional. Na dúvida, tire-a antes de partir.
- Caução: quase todas as empresas pedem um cartão de crédito para a caução.
- Seguro: leia bem as coberturas. Se pensa atravessar para a Grécia ou para o Montenegro, avise a empresa com antecedência; é preciso autorização e a carta verde do seguro.
- Levantar e entregar: o aeroporto de Tirana é o ponto mais prático para começar e acabar este circuito.
Sobre o estilo de condução: as estradas principais melhoraram muito, mas o trânsito local é impaciente, há ultrapassagens arriscadas e animais nas bermas. Conduza com calma, evite as estradas de montanha à noite e conte com mais tempo do que o GPS indica, sobretudo no verão.
O roteiro num relance
- Dias 1 e 2: Tirana e Krujë
- Dias 3 e 4: Berat
- Dias 5 e 6: Gjirokastër e o Olho Azul
- Dias 7 e 8: Ksamil, Butrint e Saranda
- Dias 9 e 10: Himarë, a Riviera e o regresso por Vlorë
Os tempos de condução indicados abaixo são aproximados, com base em estimativas de guias locais, e variam muito com o trânsito. Confirme sempre numa aplicação de navegação no próprio dia.
Dias 1 e 2: Tirana e Krujë
Aterre em Tirana, levante o carro e instale-se na cidade. A capital albanesa não é bonita no sentido clássico, mas é viva, colorida e cheia de contrastes. Passeie pela praça Skanderbeg, entre na mesquita Et'hem Bey, suba à Pirâmide de Tirana, construída como museu dedicado ao ditador Enver Hoxha e hoje transformada em espaço público, e perca-se nos cafés do bairro de Blloku, que durante o regime comunista estava vedado à população.
Para perceber o país, reserve tempo para um dos museus instalados em antigos bunkers, que contam a história de décadas de isolamento e vigilância.
No segundo dia, faça uma escapadinha a Krujë, na montanha a norte de Tirana. O castelo ligado ao herói nacional Skanderbeg e o velho bazar de madeira, com tapetes, bordados e antiguidades, dão uma boa primeira dose de Albânia histórica. Regresse a Tirana para jantar.
Dias 3 e 4: Berat, a cidade das mil janelas
De Tirana a Berat são cerca de duas horas de carro, quase sempre por estrada rápida. Berat é uma das cidades mais bonitas dos Balcãs: as casas otomanas brancas sobem a encosta no bairro de Mangalem, com tantas janelas viradas para o rio Osum que lhe deram a alcunha de "cidade das mil janelas". Do outro lado do rio, ligado por uma ponte otomana de pedra, fica o bairro de Gorica.
Dedique um dia inteiro à cidade. Suba ao castelo, a Kala, que continua habitado e guarda igrejas bizantinas, ruínas e vistas amplas sobre o vale. Ao fim da tarde, junte-se aos locais no passeio ao longo do rio, quando as luzes das casas se acendem na encosta.
No segundo dia, explore os arredores: a região é conhecida pelo vinho, e há adegas familiares que recebem visitantes, bem como o desfiladeiro de Osum, a sudeste, para quem gosta de natureza.
Dias 5 e 6: Gjirokastër e o Olho Azul
De Berat a Gjirokastër são cerca de duas horas e meia pelo interior. Gjirokastër é a "cidade de pedra": casas-torre cobertas de lajes de xisto, ruas inclinadas de calçada e um enorme castelo a dominar o vale do Drino. Juntas, Berat e Gjirokastër formam um único sítio do Património Mundial da UNESCO.
Visite o castelo, o velho bazar e uma das grandes casas tradicionais abertas ao público, como a casa Skënduli. Os fãs de literatura encontram também a casa-museu de Ismail Kadare, o escritor albanês mais conhecido, que nasceu na cidade.
No sexto dia, desça em direção à costa pelo interior e pare no Olho Azul (Syri i Kaltër), uma nascente de água gelada de um azul tão intenso que parece tingida, rodeada de floresta. Vá cedo, porque em agosto o parque de estacionamento enche. A partir daí, siga para Ksamil ou Saranda, onde passa as duas noites seguintes.
Dias 7 e 8: Ksamil, Butrint e Saranda
Chegou a praia. Instale-se em Ksamil, se quer ficar junto às ilhotas e à água turquesa, ou em Saranda, se prefere mais restaurantes e vida à noite. Entre as duas são uns 25 a 40 minutos de carro, consoante o trânsito.
Dedique uma manhã a Butrint, a poucos quilómetros de Ksamil. É um dos sítios arqueológicos mais bonitos do Mediterrâneo, com teatro grego, batistério, muralhas e uma fortaleza veneziana no meio da floresta, à beira da lagoa. Chegue cedo, antes do calor e dos grupos.
O resto do tempo é para o mar: atravessar a nado ou de caiaque até às ilhotas de Ksamil, provar peixe grelhado à beira-mar e subir ao castelo de Lëkurës, em Saranda, para o pôr do sol sobre Corfu.
Dia 9: a Riviera, de Saranda a Himarë
Hoje começa a parte mais espetacular da estrada. A estrada costeira que sobe de Saranda para norte serpenteia entre montanhas e mar, com miradouros a cada curva. Pelo caminho, vale a pena parar em:
- Borsh, uma das praias mais compridas da Riviera, com olivais nas encostas;
- Porto Palermo, uma pequena baía com uma fortaleza numa península;
- Himarë, uma vila de pescadores com uma cidade velha no alto da colina.
Durma em Himarë, Livadh ou Jala. O ritmo aqui é mais calmo do que em Ksamil, e as praias de seixos brancos têm uma água tão transparente como no sul.
Uma ideia para este dia ou para o seguinte: em vez de conduzir, troque o carro pelo barco e passe um dia a explorar as enseadas a que não se chega por estrada.
Dia 10: Gjipe, Llogara e regresso a Tirana
Se tiver energia, comece a manhã com uma caminhada até à praia de Gjipe, no fim de um desfiladeiro entre Dhërmi e Himarë, ou com um último banho em Dhërmi. Depois, siga para norte.
Desde 2024, o túnel de Llogara permite evitar as curvas da serra e encurta muito a ligação entre a Riviera e Vlorë. Se não tiver pressa, faça pelo menos uma vez a estrada antiga pelo passo de Llogara: a subida em ziguezague, com o mar Jónico lá em baixo, é uma das vistas mais impressionantes do país.
De Vlorë a Tirana são cerca de duas horas, quase sempre por autoestrada. Deixe uma margem generosa antes do voo de regresso.
Variações ao roteiro
- Com mais praia: troque Krujë por uma noite extra em Himarë ou Ksamil.
- Com montanha: acrescente três ou quatro dias no norte, nos Alpes Albaneses, com Theth e o lago de Komani. As estradas de montanha pedem mais tempo e cuidado.
- Com Corfu: comece ou acabe na ilha grega e atravesse de ferry para Saranda; nesse caso, confirme se a empresa de aluguer permite levar o carro entre países ou alugue um carro só do lado albanês.
- Sobre o aeroporto de Vlorë: foi construído para aproximar os voos da costa, mas à data de outubro de 2026 ainda não tinha voos comerciais regulares. Se abrir, permitirá começar o roteiro diretamente na Riviera.
Antes de ir
- Documentos: os portugueses entram sem visto, com cartão de cidadão ou passaporte; confirme as regras nos conselhos aos viajantes do Portal das Comunidades.
- Carro: cartão de crédito para a caução, carta de condução e, por precaução, licença internacional; autorização da empresa se for atravessar fronteiras.
- Quando: maio, junho e setembro são ideais para combinar cidades e praia; em julho e agosto, o calor aperta no interior e a costa enche.
- Dinheiro: leks em notas para estacionamentos, cafés e pequenas compras; cartões nas cidades e hotéis.
- Ritmo: não acrescente paragens a mais. A estrada costeira é lenta e é para ser apreciada.
- Na mala: calçado confortável para as calçadas de Berat e Gjirokastër, sapatos de água para as praias de seixos.
Um dia sem volante na Riviera
Depois de tantos quilómetros, nada melhor do que um dia em que outra pessoa conduz. A experiência Segredos da Riviera Albanesa parte do porto de pesca de Himarë para um dia inteiro de barco pelas enseadas da costa, com paragens para nadar em grutas e baías desertas, snorkel e almoço com vinho local numa taverna que só se alcança pelo mar. Encaixa na perfeição no dia 9 deste roteiro. Veja também as nossas propostas no destino Albânia.