Fim de ano no deserto, sob as estrelas, ou na agitação de Marraquexe? Comparamos as opções para a passagem de ano em Marrocos, das noites em Agafay às grandes dunas do Sara, e dizemos como as combinar.
A passagem de ano em Marrocos tem duas caras, e ambas valem a viagem. De um lado, Marraquexe: uma cidade que nunca está quieta, com riads iluminados a velas, terraços sobre a medina e jantares de festa que se prolongam até de madrugada. Do outro, o deserto: uma fogueira, um céu tão cheio de estrelas que parece exagerado e um silêncio que torna a meia-noite quase solene. A boa notícia é que não tem de escolher. A pouco mais de meia hora de Marraquexe começa um deserto, e é possível juntar as duas experiências na mesma semana.
Porque passar o fim de ano em Marrocos
Para quem sai de Portugal, Marrocos é um dos destinos exóticos mais próximos. O voo até Marraquexe é curto, e em poucas horas trocamos o inverno português por dias de sol e luz limpa, com as montanhas do Atlas, muitas vezes cobertas de neve, no horizonte. É um destino que surpreende logo à chegada: as cores da medina, o cheiro das especiarias, o chamamento para a oração a atravessar a cidade ao fim da tarde.
O fim de ano não é uma festa tradicional marroquina da mesma forma que é na Europa, e isso tem o seu encanto. Nos hotéis, riads e acampamentos virados para quem viaja, há jantares especiais, música e celebração à meia-noite. Fora deles, a vida da medina segue o seu ritmo próprio. Quem procura um réveillon diferente, longe do fogo de artifício e da contagem decrescente em praça cheia, encontra aqui exatamente isso.
Réveillon em Marraquexe: a cidade em festa
Marraquexe no fim de ano é intensa, colorida e cheia de gente. É também a escolha mais confortável para quem quer celebrar com tudo à mão.
A praça Jemaa el-Fna ao anoitecer
Nenhuma noite em Marraquexe começa bem sem uma passagem pela praça Jemaa el-Fna. Ao cair da tarde, o espaço transforma-se: montam-se as bancas de comida com fumo a subir das grelhas, ouvem-se tambores, contadores de histórias e músicos, e a multidão circula entre sumos de laranja e caracóis em caldo picante. Ver tudo isto de um terraço, com um chá de menta na mão enquanto o sol se põe, é um dos grandes momentos da cidade.
Jantar num riad ou num terraço
A forma mais marroquina de celebrar a passagem de ano em Marraquexe é num riad, as casas tradicionais construídas à volta de um pátio interior. Muitos organizam um jantar especial na noite de 31, com vários pratos, música ao vivo e decoração à luz das velas. Os terraços com vista para a medina e para o Atlas são muito procurados nesta noite, por isso convém reservar com bastante antecedência.
Uma nota sobre o álcool
Marrocos é um país muçulmano. Nos hotéis, em restaurantes com licença e em muitos espaços pensados para turistas serve-se álcool, mas não em todo o lado, e muitos riads mais pequenos não o têm. Se o brinde da meia-noite é importante para si, confirme antes de reservar. E, na rua, celebre com discrição: o respeito pelos costumes locais é sempre bem recebido.
Fim de ano no deserto: Agafay ou o Sara?
Quando se fala em fim de ano no deserto em Marrocos, há duas opções muito diferentes, e convém não as confundir.
Agafay, o deserto às portas de Marraquexe
O deserto de Agafay fica a cerca de 30 a 40 quilómetros de Marraquexe, a menos de uma hora de carro. Não é um mar de dunas douradas como o Sara: é um deserto de pedra, de colinas suaves e tons ocres, com as montanhas do Atlas como pano de fundo. Ao pôr do sol, a paisagem ganha cores que mudam a cada minuto, e à noite o céu fica limpo e escuro, longe das luzes da cidade.
A grande vantagem de Agafay é a proximidade. Pode passar o dia na medina, jantar à volta de uma fogueira no deserto e estar de volta a Marraquexe na manhã seguinte, sem horas e horas de estrada. Para uma passagem de ano com estrelas, tajine e música junto ao fogo, é a solução mais prática.
Merzouga e as grandes dunas do Sara
Quem sonha com as dunas altas e alaranjadas do imaginário do Sara tem de ir mais longe. Merzouga e as dunas de Erg Chebbi ficam a cerca de 560 quilómetros de Marraquexe por estrada, o que significa, consoante a fonte e o percurso, entre oito e dez horas de viagem. A estrada atravessa o Atlas e passa por vales, oásis e kasbahs, e por isso a maioria das pessoas faz o percurso em dois ou três dias, com paragens pelo caminho.
É uma viagem extraordinária, mas exige tempo. Para uma passagem de ano no Sara, conte com pelo menos quatro ou cinco dias só para ir, ficar e voltar.
O frio das noites no deserto
Este é o ponto que mais apanha os viajantes de surpresa. No inverno, os dias no deserto podem ser amenos e soalheiros, mas as noites são frias, e em algumas noites de dezembro a temperatura pode aproximar-se dos zero graus. Os acampamentos costumam ter cobertores pesados, mas leve camadas quentes, gorro e meias grossas. À volta da fogueira, à meia-noite, vai agradecer.
Marraquexe fim de ano: como combinar cidade e deserto
Para muitos viajantes, a resposta ideal é juntar as duas coisas. Eis três formas de organizar a semana:
- Cidade e Agafay: três ou quatro noites em Marraquexe, com uma noite no deserto de Agafay pelo meio. É o plano mais simples, ideal para uma semana de férias de inverno.
- Réveillon no deserto, regresso à cidade: passe a noite de 31 num acampamento e volte a Marraquexe no dia 1 de janeiro, para uma manhã calma num hammam e um passeio pelos jardins.
- Grande viagem até ao Sara: para quem tem mais de uma semana, Marraquexe, travessia do Atlas, noite nas dunas de Merzouga e regresso por outro caminho. Exige mais horas de estrada, mas fica para a vida.
Qualquer que seja a escolha, o mais importante é reservar cedo. O fim de ano é uma das épocas de maior procura em Marraquexe, e os acampamentos e riads com programa especial para dia 31 esgotam muitas vezes semanas antes.
Antes de ir
- Documentos: leve passaporte válido. As regras de entrada, incluindo a validade mínima do passaporte, devem ser confirmadas antes de partir nos conselhos aos viajantes do Portal das Comunidades, do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
- Clima: dias geralmente amenos e soalheiros, noites frias em Marraquexe e muito frias no deserto. Leve roupa por camadas.
- Dinheiro: a moeda é o dirham marroquino. Tenha sempre algum dinheiro trocado para pequenas compras, gorjetas e táxis.
- Na medina: use calçado confortável, combine sempre o preço antes de entrar num táxi ou aceitar um serviço e peça licença antes de fotografar pessoas.
- Escolha rápida: quer festa e conforto, fique em Marraquexe; quer estrelas sem horas de estrada, vá a Agafay; quer as grandes dunas, reserve vários dias para o Sara.
- Reservas: marque voos, alojamento e jantar de dia 31 o mais cedo possível.
Viver uma noite no deserto de Agafay
Se quer provar o melhor de cada mundo, a nossa experiência Noites no deserto de Agafay junta-os em dois dias e uma noite: começa com uma visita guiada à medina de Marraquexe, com palácios, souks e pátios escondidos, segue para Agafay a tempo do pôr do sol e continua com jantar de tajine junto à fogueira, música ao vivo e noite em tenda no acampamento. De manhã há café ao nascer do sol e regresso a Marraquexe. A experiência é em grupos pequenos, de no máximo doze pessoas, com guia local. Para datas à volta do fim de ano, fale connosco, e veja também tudo o que propomos no nosso destino Marrocos.