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Blog · Mediterrâneo

Malta em três dias: Valeta, Mdina e Gozo

17 Maio 2026 · 9 min de leitura

Malta em três dias: Valeta, Mdina e Gozo

Três dias chegam para conhecer o essencial de Malta: a Valeta dos Cavaleiros, com Caravaggio e o canhão do meio-dia, a Mdina silenciosa no alto da ilha e um dia em Gozo, entre templos mais antigos do que as pirâmides e baías de areia vermelha.

Malta é pequena no mapa e enorme na história. Num arquipélago que se atravessa de carro em menos de uma hora cabem templos pré-históricos, uma capital barroca construída por cavaleiros, uma cidade medieval murada e uma segunda ilha, Gozo, com outro ritmo. Para quem se pergunta o que visitar em Malta com pouco tempo, a resposta cabe em três dias: um em Valeta e no Grande Porto, outro em Mdina e Rabat, e o último em Gozo. Este roteiro organiza-os com calma, sem a ilusão de ver tudo, mas com o que realmente fica na memória.

Porque é que três dias resultam

As distâncias são curtas, a língua não é obstáculo (o inglês é oficial a par do maltês) e a moeda é o euro. Tudo isto torna Malta uma escapadinha fácil para quem parte de Portugal, mas também uma das escalas mais apetecíveis de um cruzeiro pelo Mediterrâneo. A pedra é sempre a mesma, um calcário cor de mel que muda de tom ao longo do dia, e dá às três paragens deste roteiro um ar de família.

O truque é não querer encaixar demasiado. Malta tem praias, mergulho, vida noturna em St. Julian's e dezenas de igrejas que mereciam uma visita. Mas, num primeiro contacto, o triângulo Valeta, Mdina e Gozo diz quase tudo sobre a ilha: o poder dos Cavaleiros, a nobreza antiga e o campo.

Dia 1: Valeta, a cidade dos Cavaleiros

Valeta nasceu de uma vitória. Depois do Grande Cerco de 1565, quando os Cavaleiros da Ordem de São João resistiram ao exército otomano, o grão-mestre Jean de la Valette mandou construir uma capital nova e fortificada na península entre dois portos. O resultado é uma cidade em grelha, cercada de muralhas, que a UNESCO classifica como Património Mundial. Mede pouco mais de um quilómetro de comprimento e percorre-se toda a pé.

A Co-Catedral de São João

Por fora, a Co-Catedral de São João é austera, quase militar. Por dentro, é uma explosão de ouro, mármore e pintura: o chão é um mosaico de lápides dos cavaleiros, cada uma com brasões e caveiras em pedra colorida. No oratório está a razão pela qual muita gente atravessa o Mediterrâneo: A Decapitação de São João Baptista, de Caravaggio, pintada em 1608 para a Ordem. É a maior tela do pintor e a única que ele assinou, com o nome traçado no sangue do santo. Vale a pena chegar cedo e ficar uns minutos sentado diante dela.

Upper Barrakka e o canhão do meio-dia

A poucos passos ficam os jardins de Upper Barrakka, uma varanda de arcadas sobre o Grande Porto. Daqui veem-se, do outro lado da água, as Três Cidades (Birgu, Senglea e Cospicua), os fortes e as docas. Logo abaixo fica a Saluting Battery, onde ainda hoje se dispara um canhão às 12:00 e às 16:00, com uma breve explicação antes do tiro do meio-dia, segundo o site oficial da Saluting Battery (confirme os dias e horários antes de ir). É um dos momentos mais concorridos da cidade, por isso convém chegar com antecedência para ter lugar junto à balaustrada.

O Grande Porto visto da água

Ao fim da tarde, desça até ao cais e atravesse para as Três Cidades num dos barcos tradicionais de madeira pintada, as dgħajsa, ou no ferry que liga as duas margens. Birgu, onde os Cavaleiros se instalaram antes de Valeta existir, é mais sossegada e tem ruas estreitas cheias de varandas fechadas, as gallariji, de madeira colorida. Voltar a Valeta com a luz a baixar sobre as muralhas é uma das imagens mais bonitas de Malta.

Dia 2: Mdina e Rabat, a cidade silenciosa

No centro da ilha, num planalto de onde se vê quase toda a costa, fica Mdina, a antiga capital. Os malteses chamam-lhe a cidade silenciosa, e percebe-se porquê ao passar a porta principal: dentro das muralhas, o trânsito é muito limitado, as ruas fazem curvas apertadas e ouve-se sobretudo o eco dos passos. Palácios de famílias nobres, conventos e pequenas praças sucedem-se num labirinto que se percorre numa manhã.

Não há uma lista de monumentos obrigatórios. O que fica é o conjunto: a catedral barroca de São Paulo, as portas de madeira com aldrabas em forma de golfinho, os bastiões no limite norte de onde se avista o campo até ao mar. Se puder, fique até ao fim da tarde, quando os grupos de excursão já partiram e a pedra ganha um tom quase dourado.

Fora das muralhas, Rabat é uma vila viva, com pastelarias, mercearias e igrejas. É aqui que ficam as catacumbas de São Paulo e de Santa Ágata, uma rede de galerias subterrâneas usada para sepulturas na época romana e paleocristã. É também o sítio ideal para provar os pastizzi, pastéis de massa folhada recheados de ricota ou de ervilhas, que se comem em qualquer hora do dia.

Chegar a Mdina a partir de Valeta é simples de autocarro, e o terminal fica mesmo à porta da cidade velha. Quem preferir pode juntar, no regresso, uma paragem nas falésias de Dingli, as mais altas da ilha, para ver o pôr do sol sobre o mar aberto.

Dia 3: Gozo, a ilha irmã

Gozo é mais verde, mais rural e mais lenta do que Malta. Há quem diga que é a Malta de há umas décadas, e a sensação, ao sair do ferry, é mesmo essa: aldeias com igrejas desproporcionadas para o tamanho, muros de pedra seca, campos em socalcos e estradas onde ainda se cruzam tratores.

Como chegar a Gozo

Há duas formas de atravessar. A mais tradicional é o ferry da Gozo Channel entre Ċirkewwa, no norte de Malta, e Mġarr, em Gozo, que leva carros e passageiros e demora cerca de 25 minutos. O bilhete paga-se apenas no regresso, em Mġarr; os horários estão no site da Gozo Channel. A alternativa, só para passageiros a pé, é o ferry rápido que sai de Valeta, junto às muralhas, e chega a Mġarr em cerca de 45 minutos, o que poupa a viagem até ao norte da ilha. Este barco é mais sensível ao mau tempo, por isso convém verificar se há alterações no próprio dia.

Victoria e a Cidadela

A capital de Gozo chama-se oficialmente Victoria, mas os locais continuam a chamar-lhe Rabat. No alto, a Cidadela é uma fortaleza muralhada que serviu de refúgio aos habitantes durante séculos de ataques de piratas. Das muralhas vê-se a ilha inteira, de uma costa à outra, o que ajuda a perceber como é pequena.

Ġgantija, mais antigo do que as pirâmides

Em Xagħra ficam os templos de Ġgantija, um dos conjuntos megalíticos mais antigos do mundo, classificado pela UNESCO e anterior às pirâmides do Egito e a Stonehenge. Os blocos de pedra são tão grandes que, segundo a lenda local, só uma giganta os poderia ter levantado, e daí vem o nome. A visita começa num pequeno centro interpretativo e termina entre as paredes dos templos, ao ar livre.

Costa: Ramla, Xlendi e Dwejra

Para a tarde, escolha uma costa. A baía de Ramla, no norte, tem areia de tom avermelhado e é das poucas praias de areia do arquipélago. Xlendi, a oeste, é uma enseada estreita entre falésias, com restaurantes de peixe junto à água. Em Dwejra ficava a famosa Janela Azul, o arco de rocha que caiu ao mar numa tempestade em 2017; hoje o lugar continua impressionante, com o Mar Interior, uma lagoa ligada ao oceano por um túnel na rocha, e a Fungus Rock à entrada da baía.

E Comino?

Entre as duas ilhas fica Comino, com a célebre Lagoa Azul. Desde maio de 2025, a entrada na lagoa exige uma reserva gratuita num de três turnos diários, feita no site oficial da Lagoa Azul, para controlar o número de visitantes. Se quiser incluí-la, confirme as regras em vigor à data da viagem e reserve com antecedência no verão. Para um roteiro de três dias, é um desvio que se encaixa melhor numa manhã extra do que no dia de Gozo.

Malta como escala de cruzeiro

Quem chega por mar tem o melhor começo possível: a entrada no Grande Porto, entre os bastiões de Valeta e os fortes das Três Cidades, é das chegadas de navio mais espetaculares do Mediterrâneo. No Cruzeiro pelo Mediterrâneo: Malta, Grécia e Itália, a escala em La Valletta é das 09:00 às 19:00, ao terceiro dia de viagem. Dá tempo para o essencial do primeiro dia deste roteiro: as muralhas dos Cavaleiros, a Co-Catedral e os jardins sobre o porto.

Com uma escala de um dia, Mdina e Gozo ficam de fora, a não ser numa excursão organizada. Por isso, há quem use o cruzeiro para conhecer Valeta e volte depois para uma escapadinha de três dias com Mdina e Gozo. Ambas as abordagens fazem sentido.

Antes de ir

  • Documentos: Malta faz parte da União Europeia e do espaço Schengen. Cidadãos portugueses viajam com cartão de cidadão ou passaporte válidos; confirme sempre no Portal das Comunidades antes de partir.
  • Quando ir: a primavera e o outono têm temperaturas agradáveis e menos gente. No verão, o calor e as multidões apertam, sobretudo em Valeta e na Lagoa Azul.
  • Transportes: a rede de autocarros cobre as duas ilhas. Se alugar carro, lembre-se de que em Malta se conduz pela esquerda.
  • Tomadas: são do tipo britânico, com três pinos retangulares. Leve um adaptador.
  • Calçado: Valeta e Mdina têm escadarias e ruas inclinadas de pedra polida, que escorrega quando está molhada.
  • Gozo num dia: apanhe um dos primeiros ferries da manhã para ter o dia inteiro na ilha e confirme a hora do último regresso.
  • Igrejas: leve uma peça para cobrir os ombros; a Co-Catedral e outras igrejas pedem roupa adequada.

Chegar a Malta pelo mar

Se a ideia de acordar com os bastiões de Valeta à janela lhe agrada, o nosso Cruzeiro pelo Mediterrâneo: Malta, Grécia e Itália parte de Barcelona e liga La Valletta a Creta, Olímpia, Sicília, Nápoles e Roma. Para ver outras propostas na região, espreite o nosso destino Mediterrâneo.

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