Longe das filas de Santorini e da noite de Mykonos, as Cíclades guardam ilhas mais sossegadas. Naxos tem aldeias de montanha e praias compridas, Milos tem rochas lunares e enseadas de cor impossível, Folegandros tem uma das vilas mais bonitas do Egeu.
Quando se pensa nas ilhas gregas, a imagem que aparece é quase sempre a mesma: casas brancas, cúpulas azuis, um pôr do sol em Santorini partilhado com milhares de telemóveis. Essa Grécia existe, mas não é a única. Nas Cíclades há ilhas gregas menos turísticas onde ainda se encontra uma praia com espaço para estender a toalha, uma taberna sem menu traduzido em seis línguas e uma aldeia onde o barulho mais forte é o dos sinos das cabras. Naxos, Milos e Folegandros são três delas, e cada uma responde a um tipo diferente de viajante.
Porquê escolher ilhas gregas sossegadas
As Cíclades são um arquipélago de mais de duas dezenas de ilhas habitadas no meio do Egeu, a sudeste de Atenas. Partilham a luz, o vento e a arquitetura branca, mas não partilham o mesmo número de visitantes. Enquanto Santorini e Mykonos recebem multidões, sobretudo nos dias de escala dos navios de cruzeiro, outras ilhas mantêm uma vida própria que não depende só do turismo: agricultura, pesca, queijo, vinho.
"Menos turística" não quer dizer deserta. Em julho e agosto, todas as Cíclades enchem, e Milos tem vindo a ganhar fama nas redes sociais. Mas a diferença sente-se: menos filas, mais espaço, preços de alojamento e de refeições, em geral, mais simpáticos, e uma relação com os locais que não se resume a um balcão.
Naxos: a ilha grande e generosa
Naxos é a maior das Cíclades e talvez a mais completa. Tem montanha, vales férteis, aldeias de pedra, praias de areia compridas e uma cidade principal animada mas descontraída. É a escolha óbvia para quem quer variedade, viaja com crianças ou simplesmente gosta de comer bem.
Chora e a Portara
A chegada de barco a Naxos é inesquecível por causa de uma porta. No ilhéu de Palatia, ligado ao porto por um pontão, ergue-se a Portara, um enorme portal de mármore de um templo dedicado a Apolo que nunca chegou a ser terminado. Ao pôr do sol, a ilha inteira parece juntar-se ali para ver o sol a cair dentro da moldura de pedra.
Atrás do porto sobe Chora, a cidade principal, com o Kastro, o bairro fortificado construído pelos venezianos no século XIII. As ruas são estreitas, cobertas por arcos, e escondem brasões de famílias católicas que ainda hoje vivem na ilha.
O interior: aldeias e o monte Zas
O que distingue Naxos é o interior. A estrada que atravessa a ilha passa por olivais, vales com limoeiros e aldeias como Halki, conhecida pela destilaria de kitron, um licor feito com folhas de cidreira, e Apiranthos, toda em mármore, com ruas pavimentadas e varandas floridas. Ao lado ergue-se o monte Zas, o ponto mais alto das Cíclades, com cerca de 1000 metros, segundo o site de turismo de Naxos. A subida faz-se a pé e, segundo a mitologia, foi numa gruta da montanha que Zeus passou a infância.
Perto de Melanes e de Apollonas jazem ainda dois kouroi, estátuas gigantes de homens jovens abandonadas na pedreira há mais de dois mil e quinhentos anos, como se os escultores tivessem saído para almoçar e nunca mais voltado.
Praias de Naxos
A costa oeste tem praias de areia fina e água baixa, como Agios Prokopios, Agia Anna e Plaka, ótimas para famílias. Quanto mais para sul se vai, mais vazias ficam. Naxos é também uma ilha de mesa: queijo graviera, batatas famosas em toda a Grécia e carne de pequenas explorações da montanha.
Milos: a ilha vulcânica
Milos nasceu de vulcões, e isso vê-se em todo o lado. A costa é um catálogo de cores: rocha branca, ocre, vermelha, cinzenta, roxa, e água que muda de verde para turquesa conforme o fundo. É a ilha para quem gosta de explorar a costa, de nadar em enseadas improváveis e de fotografia.
Sarakiniko e Kleftiko
Sarakiniko é a imagem de Milos: uma paisagem de rocha vulcânica branca, lisa e ondulada, esculpida pelo vento e pelo mar, que parece a superfície da Lua a mergulhar no Egeu. Ao início da manhã ou ao fim da tarde, quando a luz é baixa, é ainda mais impressionante e muito menos concorrida.
Kleftiko, no sudoeste, só se alcança de barco ou por um trilho exigente. São arcos, grutas e pilares de rocha branca onde, diz a tradição, os piratas se escondiam. Os passeios de barco à volta da ilha param aqui para um mergulho em água transparente.
Plaka, Klima e os sirmata
Plaka, a vila principal, fica no alto e tem um dos melhores miradouros da ilha para o pôr do sol, junto à igreja do Kastro. Lá em baixo, na aldeia piscatória de Klima, as casas dos pescadores, os sirmata, são construídas mesmo à beira da água, com portas de cores vivas no rés-do-chão onde se guardavam os barcos. Perto de Plaka foi encontrada, em 1820, a Vénus de Milo, hoje no Museu do Louvre; no local há uma placa e, ali ao lado, as ruínas de um teatro romano com vista para a baía.
Folegandros: o refúgio
Folegandros é a mais pequena e a mais sossegada das três, e talvez a mais bonita. Não tem aeroporto, as ligações de ferry são menos frequentes do que nas ilhas maiores e isso, por si só, mantém-na fora do circuito das multidões. É para quem quer descansar, caminhar e não fazer grande coisa.
Chora sobre a falésia
Chora de Folegandros está pendurada no topo de uma falésia, a grande altura sobre o mar. O centro é uma sequência de pequenas praças ligadas entre si, sombreadas por árvores, com tabernas e esplanadas onde a noite se estica sem pressa. Ao fim da tarde, quase toda a gente sobe pelo caminho em ziguezague até à igreja da Panagia, branca no alto da colina, para ver o sol desaparecer no Egeu.
Praias e trilhos
As praias de Folegandros pedem esforço, e é por isso que continuam tranquilas. Algumas alcançam-se por trilhos de terra e pedra, outras só de barco a partir do porto de Karavostasis. Katergo, uma das mais bonitas, fica numa enseada de seixos e água muito transparente. A ilha tem também uma rede de caminhos antigos entre aldeias e capelas, perfeitos para a primavera e o outono, quando o calor ainda não aperta.
Naxos, Milos ou Folegandros: qual escolher
- Naxos é para quem quer variedade: praias de areia, aldeias de montanha, caminhadas e boa comida. A melhor para famílias e para uma primeira viagem às Cíclades.
- Milos é para quem quer paisagens únicas, passeios de barco e mergulhos em enseadas. Ideal para casais e fotógrafos, com alguma tolerância a mais movimento no verão.
- Folegandros é para quem quer silêncio, caminhadas e noites longas numa praça. A melhor para desligar, de preferência fora de agosto.
As três combinam bem numa só viagem. Milos e Folegandros ficam relativamente próximas, e Naxos é um dos grandes nós de ferries das Cíclades, com ligações a muitas outras ilhas.
Antes de ir
- Como chegar: a partir de Atenas, os ferries saem sobretudo do porto do Pireu. Naxos e Milos têm pequenos aeroportos com voos domésticos; Folegandros só se alcança por mar. Os horários mudam com a estação, por isso confirme-os perto da data.
- Quando ir: o fim da primavera e o início do outono são os melhores momentos, com mar já ou ainda quente e muito menos gente do que em julho e agosto.
- Vento: no verão, o meltemi, vento forte do norte, pode agitar o mar e atrasar ou cancelar ferries. Deixe folga no regresso, sobretudo antes de um voo.
- Deslocações: em Naxos e Milos dá jeito alugar carro ou mota para chegar às praias e aldeias. Em Folegandros, os autocarros locais e as caminhadas chegam.
- Documentos: a Grécia está na União Europeia e no espaço Schengen; cidadãos portugueses viajam com cartão de cidadão ou passaporte válidos.
- Reservas: mesmo nas ilhas menos turísticas, o alojamento esgota cedo em agosto. Reserve com antecedência se for viajar no pico do verão.
Mais Mediterrâneo
As Cíclades são só uma parte de um mar cheio de ilhas, portos e cidades com milhares de anos de história. Para conhecer as nossas propostas na região, incluindo viagens que ligam a Grécia a Malta e a Itália, visite o destino Mediterrâneo.