Muralhas viradas ao Atlântico, gaivotas, barcos azuis e uma medina Património Mundial onde ninguém tem pressa. Essaouira é o contraponto perfeito a Marraquexe: o que fazer, como lá chegar e quantos dias ficar.
Essaouira é a resposta para quem chega a Marraquexe e, ao fim de dois ou três dias, sente falta de ar. A cerca de três horas de estrada, na costa atlântica, esta cidade de muralhas brancas e portas azuis troca o calor e a agitação dos souks por vento, gaivotas e o cheiro a sal. A medina, Património Mundial da UNESCO desde 2001, é pequena, fácil de percorrer e surpreendentemente tranquila; o porto de pesca continua a trabalhar como sempre; e a baía larga, varrida pelo vento, faz dela uma das capitais marroquinas do surf e do kitesurf.
Pode visitar-se num dia a partir de Marraquexe, mas Essaouira pede pelo menos uma noite. É ao fim da tarde, quando os excursionistas partem e o sol desce sobre o mar, que a cidade mostra o seu melhor lado.
Uma cidade feita para o vento
O nome antigo da cidade era Mogador, e os portugueses conhecem-no bem: no início do século XVI construíram aqui uma fortaleza. A cidade que hoje se vê, no entanto, é sobretudo do século XVIII, quando o sultão Mohammed ben Abdallah mandou erguer um porto fortificado aberto ao comércio internacional. O desenho, com ruas direitas e muralhas à europeia, é um dos motivos pelos quais a UNESCO a classificou: uma cidade portuária norte-africana planeada segundo princípios de arquitetura militar europeia.
O resultado é uma medina diferente das outras de Marrocos. As ruas principais são largas e retas, as casas são caiadas de branco com portadas azuis, e quase sempre se ouve o mar. Perder-se aqui é difícil; o encanto está em andar sem destino.
O que fazer em Essaouira
Passear pela medina
Comece pela praça Moulay Hassan, junto ao porto, o ponto de encontro da cidade, com esplanadas e vista para as muralhas. Daí, entre na medina pelas ruas comerciais, onde se vendem especiarias, tapetes, cerâmica e as peças de marchetaria de madeira de tuia, a especialidade dos artesãos locais. As oficinas, muitas encostadas às muralhas, deixam ver o trabalho de perto e o perfume da madeira enche a rua.
Mais para dentro fica o antigo bairro judeu, o Mellah, testemunho da importância que a comunidade judaica teve no comércio da cidade. É uma zona mais silenciosa e mais gasta, mas cheia de história.
Subir à Skala de la Ville
A Skala de la Ville é o bastião sobre o mar, com uma longa fila de canhões de bronze apontados ao Atlântico. Ao pôr do sol, as ondas rebentam nas rochas lá em baixo e a luz fica dourada sobre as muralhas. É o postal de Essaouira e, mesmo com gente, vale cada minuto.
Ver o porto de pesca a trabalhar
O porto é o coração da cidade. De manhã, os barcos de madeira azul regressam da faina, as redes secam no cais, os pescadores vendem sardinha, dourada, lulas e santolas, e centenas de gaivotas disputam os restos. A Skala du Port, a fortaleza na entrada do porto, dá uma vista larga sobre a medina e os barcos.
Junto ao porto há bancas de peixe grelhado: escolhe-se o peixe, combina-se o preço antes de cozinhar e come-se ali mesmo, ao vento. Não há forma mais honesta de provar o mar de Essaouira.
Caminhar pela praia
A praia de Essaouira estende-se para sul da medina ao longo de vários quilómetros. Não é uma praia de banhos quentes e tranquilos: a água é fria e o vento sopra forte grande parte do ano. Mas é perfeita para longos passeios a pé, a cavalo ou de camelo, sobretudo ao fim da tarde, com a medina recortada atrás.
Essaouira e o surf
O surf em Essaouira é uma das razões pelas quais a cidade atrai tantos viajantes jovens. A baía tem condições para principiantes, com escolas de surf ao longo da praia, mas o vento forte, sobretudo na primavera e no verão, faz dela um destino ainda mais procurado por quem pratica kitesurf e windsurf.
Para ondas mais consistentes, muitos surfistas seguem para sul, para Sidi Kaouki, uma pequena localidade com uma praia longa e aberta, ou para outros spots da costa. Se nunca surfou, uma aula numa das escolas locais é uma boa forma de passar uma manhã; se já surfa, pergunte nas escolas onde estão as melhores condições nesse dia, porque mudam com o vento e a ondulação.
Música, festivais e ritmo
Essaouira tem uma relação especial com a música gnaoua, uma tradição espiritual e musical de origem subsariana, com cânticos, castanholas de metal e o som grave do guembri. Ao longo do ano ouve-se em cafés e pequenas salas, e todos os anos a cidade acolhe o Festival Gnaoua e Músicas do Mundo, que junta músicos gnaoua a artistas de jazz, blues e músicas de todo o mundo. A edição de 2026 decorreu de 25 a 27 de junho; as datas de 2027 ainda devem ser confirmadas junto da organização. Nesses dias, a cidade enche e o alojamento esgota cedo.
Como ir de Marraquexe a Essaouira
A ligação Essaouira–Marraquexe faz-se por estrada, em cerca de 175 a 190 km, com uma duração aproximada de duas horas e meia a três horas. Há três formas principais de a fazer:
- Autocarro: as companhias CTM e Supratours têm ligações diárias entre as duas cidades. É a opção mais económica e confortável para quem viaja de forma independente. Compre bilhete com antecedência em épocas altas.
- Carro alugado ou transfer privado: dá liberdade para parar pelo caminho, por exemplo nas cooperativas de óleo de argão, onde mulheres berberes trabalham o fruto à maneira tradicional. Na estrada, é comum ver cabras empoleiradas nos arganeiros, uma cena que se tornou atração por si só.
- Excursão de um dia: prática, mas apertada. Passa-se grande parte do dia na estrada e chega-se à cidade nas horas de mais movimento.
Quantos dias ficar
Um dia chega para ver o essencial, mas duas noites é o ideal: uma tarde para chegar e ver o pôr do sol na Skala, um dia inteiro para a medina, o porto e a praia, e uma manhã para uma aula de surf ou um passeio até Sidi Kaouki antes de regressar. Muitos viajantes combinam Essaouira com Marraquexe e com uma noite no deserto, criando um roteiro de uma semana com cidade, mar e silêncio.
Quando ir
Essaouira tem um clima ameno quase todo o ano, com verões frescos para Marrocos graças aos ventos de norte, os alísios, que também arrefecem a água do mar. Quando Marraquexe ferve no verão, Essaouira é um refúgio. No inverno, os dias continuam agradáveis, embora as noites arrefeçam e possa chover. A primavera e o outono são boas épocas para tudo, desde passeios na medina a aulas de surf.
Antes de ir
- Casaco: mesmo no verão, leve uma camisola ou um corta-vento; o vento ao fim do dia arrefece muito.
- Alojamento: fique dentro da medina, num riad, para viver a cidade a pé. O carro fica nos parques à entrada.
- Peixe grelhado: combine o preço antes de cozinharem o peixe.
- Praia: a água é fria e o vento forte; para banhos, há melhores dias e melhores horas, e informe-se sobre as correntes.
- Festival: se vier no fim de junho, confirme as datas do festival e reserve cedo.
- Fotografias: peça sempre autorização antes de fotografar pessoas, sobretudo pescadores e artesãos.
De volta a Marraquexe, uma noite no deserto
Se Essaouira é o mar, o deserto de Agafay é o silêncio, a cerca de uma hora de Marraquexe. As nossas Noites no deserto de Agafay começam com uma visita guiada à medina de Marraquexe com guia local, seguem para o deserto a tempo do pôr do sol e terminam com jantar berbere junto à fogueira, noite em acampamento e amanhecer sobre as dunas com o Atlas ao fundo. É o par perfeito para uma escapadinha a Essaouira. Para mais ideias, veja a nossa página de Marrocos.