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Blog · Tailândia

Chiang Mai e o Norte da Tailândia: templos e santuários éticos

22 Setembro 2026 · 7 min de leitura

Chiang Mai e o Norte da Tailândia: templos e santuários éticos

Templos de madeira e ouro, uma montanha sagrada sobre a cidade, mercados de domingo e elefantes que não se montam. Um guia de Chiang Mai e do Norte da Tailândia, com Chiang Rai e dicas para escolher um santuário verdadeiramente ético.

Chiang Mai é a Tailândia que não aparece nos cartazes de praia. Fica no Norte, rodeada de montanhas cobertas de floresta, e tem uma cidade antiga cercada por um fosso, mais de uma centena de templos e um ritmo que faz esquecer a pressa de Bangkok. Se procura saber o que fazer em Chiang Mai, a resposta curta é esta: templos de manhã, mercados ao fim da tarde, um dia na montanha e, se quiser ver elefantes, um santuário que os deixe em paz. Este guia ajuda a planear tudo isso, e a estender a viagem até Chiang Rai.

Porque vale a pena ir ao Norte

A maior parte dos portugueses que vai à Tailândia pensa primeiro nas ilhas, e com razão. Mas uma viagem só de praia deixa de fora metade do país. O Norte foi durante séculos o reino de Lanna, independente de Banguecoque, e isso nota-se na arquitetura dos templos, de madeira escura e telhados em camadas, na comida, mais herbácea e menos doce, e até no clima. Entre dezembro e fevereiro, as noites são frescas e as manhãs na montanha pedem casaco.

Chiang Mai é também a base mais prática para explorar a região. Do aeroporto de Banguecoque chega-se em cerca de uma hora de voo, e daí partem estradas para Chiang Rai, para o parque nacional de Doi Inthanon e para as aldeias de montanha.

O que fazer em Chiang Mai: a cidade antiga

A cidade antiga é um quadrado quase perfeito, rodeado por um fosso e por restos de muralha, e faz-se muito bem a pé ou de bicicleta. Dentro dele ficam os templos mais importantes:

  • Wat Phra Singh, o templo mais venerado da cidade, com um pequeno pavilhão de madeira decorado com pinturas murais que são um dos tesouros da arte de Lanna.
  • Wat Chedi Luang, onde se ergue uma enorme stupa de tijolo, parcialmente arruinada por um terramoto há vários séculos, e que continua a impressionar mesmo incompleta.
  • Os templos pequenos de bairro, que vale a pena descobrir sem plano. Muitos têm monk chats, conversas abertas em que os monges respondem a perguntas dos visitantes sobre o budismo e a vida no mosteiro.

Ao domingo, ao fim da tarde, a rua principal da cidade antiga, a Ratchadamnoen, fecha ao trânsito e transforma-se num enorme mercado de rua, desde a porta de Tha Phae até ao Wat Phra Singh. Ao sábado, há outro, mais pequeno e mais calmo, na rua Wua Lai, conhecida pelos ourives de prata. Fora da cidade antiga, o bairro de Nimmanhaemin tem cafés, galerias e um ar mais jovem.

Doi Suthep, a montanha sagrada

Nenhuma visita a Chiang Mai fica completa sem subir a Doi Suthep. No alto da montanha que domina a cidade fica o Wat Phra That Doi Suthep, um dos templos mais sagrados do Norte. A lenda conta que o local foi escolhido por um elefante branco que transportava uma relíquia de Buda e que parou no cimo da montanha. Para chegar ao templo sobe-se uma longa escadaria ladeada por serpentes mitológicas, as naga, e lá em cima a stupa dourada brilha contra o céu.

Vá de manhã cedo, quando a luz é mais suave e há menos visitantes, e não se esqueça de que se tira o calçado antes de entrar nos edifícios. Em dias limpos, a vista sobre a cidade e o vale é das mais bonitas da região.

Santuário de elefantes ético: como escolher bem

Os elefantes são um dos grandes símbolos da Tailândia, e Chiang Mai é o sítio onde mais viajantes procuram vê-los. Infelizmente, é também onde é mais fácil escolher mal. Muitos locais apresentam-se como "santuários" e "resgates", mas continuam a oferecer passeios, banhos com turistas ou espetáculos.

A World Animal Protection, uma das organizações internacionais que mais tem estudado o turismo com elefantes na Tailândia, recomenda locais apenas de observação, onde os turistas não tocam, não alimentam, não montam nem dão banho aos animais. A razão é simples: para que um elefante aceite estas interações, foi quase sempre treinado de forma dura em jovem, e o contacto próximo também traz riscos para os visitantes.

Na prática, um santuário de elefantes ético reconhece-se assim:

  • Não há montaria, nem com cadeira nem "sem sela".
  • Não há banhos com turistas nem fotografias abraçado ao animal.
  • Os elefantes têm espaço para andar, pastar e tomar banho sozinhos no rio, e os visitantes observam a uma distância segura.
  • Os grupos são pequenos e o número de visitas por dia é limitado.
  • A comunicação fala dos animais, da sua história e do seu bem-estar, e não da "experiência" do turista.

É uma experiência mais contemplativa, mas também mais verdadeira. E é a única que se pode contar aos filhos sem remorsos.

Outras experiências no Norte

Doi Inthanon

A montanha mais alta da Tailândia fica dentro de um parque nacional a sul de Chiang Mai e faz uma excelente excursão de um dia. Há cascatas, trilhos curtos entre florestas húmidas, aldeias de povos de montanha e, perto do cume, dois pagodes reais rodeados de jardins. Leve um casaco: lá em cima, o frio surpreende.

Uma aula de cozinha

Chiang Mai tem muitas escolas de cozinha, algumas com hortas próprias nos arredores da cidade. Normalmente começa-se com uma visita ao mercado e acaba-se a comer o que se cozinhou. É uma das melhores formas de perceber a cozinha tailandesa por dentro, e de repetir em casa o khao soi, a sopa de caril com massa que é o prato mais famoso do Norte.

Pai e as estradas de montanha

Para quem tem mais tempo, a pequena vila de Pai, entre montanhas a noroeste de Chiang Mai, é um destino descontraído, com termas, miradouros e campos de arroz. A estrada até lá é muito sinuosa, por isso não é para quem enjoa facilmente.

Chiang Rai: o Templo Branco e mais além

A cerca de três horas e meia de autocarro de Chiang Mai, Chiang Rai é mais pequena e mais calma, mas tem algumas das imagens mais surpreendentes do país:

  • O Templo Branco (Wat Rong Khun), uma obra de arte contemporânea do artista Chalermchai Kositpipat, que começou a reconstruí-lo em 1997 e continua a acrescentar-lhe edifícios. Todo branco e coberto de espelhos, mistura a iconografia budista com referências à cultura pop.
  • O Templo Azul (Wat Rong Suea Ten), de um azul profundo e interior dourado, mais recente e mais tranquilo.
  • A Casa Negra (Baan Dam), um conjunto de edifícios escuros criado pelo artista Thawan Duchanee, inquietante e fascinante ao mesmo tempo.

Mais a norte, o Triângulo Dourado marca o ponto onde o rio Mekong separa a Tailândia, o Laos e Myanmar. É possível ver Chiang Rai numa excursão longa de um dia a partir de Chiang Mai, mas uma noite lá permite visitar os templos com menos pressa e menos gente.

Quanto tempo ficar e como juntar às ilhas

Três a quatro noites em Chiang Mai chegam para a cidade, Doi Suthep, um santuário e uma excursão a Doi Inthanon ou a Chiang Rai. Com cinco ou seis, dá para incluir Pai ou uma noite em Chiang Rai.

O Norte combina muito bem com as ilhas do Sul: há voos diretos de Chiang Mai para Phuket, com cerca de duas horas de duração. Assim, é fácil começar a viagem com templos e montanha e acabá-la com mar, sem voltar a passar por Banguecoque.

Antes de ir

  • Melhor época: entre novembro e fevereiro, com dias secos e noites frescas. Entre março e abril, a época das queimadas agrícolas pode trazer fumo e má qualidade do ar ao Norte.
  • Roupa nos templos: ombros e joelhos cobertos, e calçado fácil de tirar.
  • Elefantes: escolha apenas locais de observação, sem montaria nem banhos.
  • Entrada no país: desde 15 de setembro de 2026, os portugueses podem ficar até 30 dias sem visto em turismo; o cartão digital de chegada (TDAC) é obrigatório e gratuito, e preenche-se nos três dias anteriores à chegada. Confirme as regras no Portal das Comunidades.
  • Transportes: na cidade, os songthaew, carrinhas vermelhas partilhadas, e as aplicações de transporte resolvem quase tudo.

Do Norte às ilhas do Andamão

A nossa experiência Tailândia de ilha em ilha dedica-se ao Sul: doze dias entre Phuket, Phi Phi e Krabi, com hotel e regime à escolha em cada paragem e Banguecoque no fim. Não inclui o Norte, mas é a metade de praia ideal para juntar a uns dias em Chiang Mai. Veja também tudo o que propomos no destino Tailândia.

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