Os templos de Ramsés II e Nefertari ficam a cerca de 280 km de Assuão, quase na fronteira com o Sudão. Explicamos como lá chegar, de estrada ou de avião, o que ver e como funciona o fenómeno do sol que ilumina o santuário duas vezes por ano.
Abu Simbel é o lugar que muita gente imagina quando pensa no Egito sem saber o nome: quatro estátuas colossais de Ramsés II sentadas diante de uma montanha, a olhar para o nascer do sol sobre o lago Nasser. Fica a cerca de 280 quilómetros a sul de Assuão, já muito perto da fronteira com o Sudão, e a forma mais comum de lá chegar é numa excursão de um dia a partir de Assuão, de estrada ou de avião. Neste guia explicamos as duas opções, o que ver nos dois templos, como funciona o famoso fenómeno do sol de 22 de fevereiro e 22 de outubro, e como encaixar Abu Simbel nas outras excursões a partir de Assuão.
Um templo que mudou de sítio
Ramsés II mandou escavar os dois templos de Abu Simbel na rocha de uma colina à beira do Nilo, no século XIII antes de Cristo. Era uma mensagem política para a Núbia, a terra a sul: quem chegasse ao Egito pelo rio encontrava primeiro o rosto gigante do faraó, quatro vezes repetido.
Na década de 1960, a construção da Alta Barragem de Assuão ameaçou submergir os templos nas águas do futuro lago Nasser. Seguiu-se uma das maiores operações de salvamento arqueológico de sempre, com apoio internacional coordenado pela UNESCO: os templos foram cortados em grandes blocos, desmontados e reconstruídos mais acima, dentro de uma colina artificial, a salvo da água. Hoje, quem não sabe a história dificilmente percebe que o que está a ver foi movido. Os templos fazem parte do conjunto dos Monumentos Núbios, de Abu Simbel a Philae, Património Mundial.
Abu Simbel: como ir a partir de Assuão
De estrada
A maioria das pessoas vai de carro, carrinha ou autocarro, numa excursão organizada a partir de Assuão. A estrada atravessa o deserto em linha quase reta e a viagem leva cerca de três a quatro horas para cada lado. As saídas são muito cedo, de madrugada, para chegar aos templos de manhã, antes do calor e ao mesmo tempo que as outras excursões. O trânsito turístico nesta estrada costuma circular em horários definidos e com escolta policial, por isso não se escolhe a hora de partida à vontade: é o operador que se encarrega disso.
Contando as duas viagens, é um dia longo, de cerca de doze horas, com duas a três horas nos templos. Em compensação, o nascer do sol sobre o deserto, visto da janela, é um espetáculo à parte. Leve uma almofada de viagem, um casaco para a madrugada, que pode ser fria no inverno, e pequeno-almoço, que muitas vezes vem numa caixa.
De avião
A alternativa é o voo curto entre Assuão e Abu Simbel, operado por companhias egípcias. É uma solução mais rápida e menos cansativa, mas os voos são poucos e os horários mudam com frequência, por isso convém confirmar diretamente com a companhia antes de planear o dia. O aeroporto de Abu Simbel fica perto dos templos e há transporte entre os dois. O tempo nos templos tende a ser mais curto do que numa excursão de estrada, porque fica preso ao horário do voo de regresso.
Ficar a dormir
Há ainda uma terceira opção, pouco usada e muito bonita: dormir na vila de Abu Simbel. Permite ver os templos ao fim da tarde e de novo ao amanhecer, já sem os grupos das excursões, e assistir ao espetáculo de som e luz que é projetado nas fachadas à noite. É a melhor escolha para quem quer fotografar com calma.
De barco
Por último, há cruzeiros no lago Nasser que ligam Assuão a Abu Simbel em vários dias, parando em templos núbios que só se alcançam pela água. São uma viagem em si mesma, mais do que uma forma de chegar.
O que ver em Abu Simbel
O Grande Templo de Ramsés II
A fachada é dominada por quatro estátuas sentadas do faraó, com cerca de vinte metros de altura cada uma. Uma delas perdeu a parte de cima num sismo ainda na Antiguidade, e os pedaços continuam no chão, aos pés das outras. Entre as pernas dos colossos há figuras mais pequenas de rainhas, filhos e da mãe do rei.
Lá dentro, a primeira sala tem oito pilares com estátuas de Ramsés em forma de Osíris. As paredes contam a batalha de Kadesh, contra os hititas, que o faraó apresentou como uma grande vitória pessoal. Ao fundo, depois de mais salas, fica o santuário, com quatro estátuas sentadas: Ptah, Amon-Rá, o próprio Ramsés divinizado e Ré-Horakhty.
O Pequeno Templo de Nefertari e Hathor
Ao lado fica o templo dedicado à deusa Hathor e à grande esposa real, Nefertari. A fachada tem seis estátuas de pé, quatro de Ramsés e duas de Nefertari, e é uma das raras vezes em que uma rainha aparece no mesmo tamanho que o rei. O interior é mais pequeno, mais íntimo e com relevos delicados. Muita gente sai daqui a dizer que gostou mais deste do que do grande.
O fenómeno do sol de Abu Simbel
O grande templo foi orientado de modo a que, em dois dias por ano, os primeiros raios do sol entrem pela porta, atravessem as salas e iluminem o santuário ao fundo, a cerca de sessenta metros da entrada. A luz banha as estátuas de Amon-Rá, de Ramsés e de Ré-Horakhty, mas deixa na sombra Ptah, um deus associado ao mundo subterrâneo. O momento dura apenas alguns minutos, logo a seguir ao nascer do sol.
Hoje, o festival do sol de Abu Simbel celebra-se a 22 de fevereiro e a 22 de outubro. Antes da transferência dos templos, o alinhamento acontecia um dia mais cedo. Há quem associe as datas ao aniversário e à coroação de Ramsés II, mas essa explicação não está provada; o mais seguro é dizer que estavam ligadas ao calendário religioso e agrícola.
Nestes dias, a vila enche-se de visitantes, há música e danças núbias à porta do templo e as filas para entrar no santuário começam de madrugada, ainda de noite. Se quiser assistir, saiba que:
- é preciso planear com muita antecedência, porque o alojamento na vila esgota e as excursões de Assuão saem ainda mais cedo do que o habitual;
- o santuário é estreito e só uma pequena parte das pessoas consegue ver a luz lá dentro; muitos acompanham o momento em ecrãs no exterior;
- nos restantes dias do ano, a visita é muito mais tranquila, e quem vai ao nascer do sol vê de qualquer forma a luz dourada a bater na fachada.
À data desta publicação, a 12 de outubro de 2026, a próxima ocasião é a de 22 de outubro de 2026, e a seguinte a 22 de fevereiro de 2027. Confirme sempre com o operador o programa e os horários desse ano.
Assuão: excursões para juntar a Abu Simbel
Abu Simbel ocupa um dia inteiro, mas Assuão merece pelo menos mais um ou dois. Entre as excursões a partir de Assuão que mais valem a pena:
- Templo de Philae: dedicado a Ísis, numa ilha a que se chega de barco. Também foi transferido de sítio para escapar às águas.
- A Alta Barragem: mais pela história e pela vista do lago Nasser do que pela beleza.
- Aldeias núbias: na margem ocidental, com casas pintadas de cores vivas, onde se pode beber chá e conhecer a cultura núbia.
- Felucca ao pôr do sol: à volta da Ilha Elefantina, entre rochas de granito e as dunas da margem oeste.
Se a viagem também passar por Luxor, a experiência O Nilo em felucca junta os templos da cidade a uma tarde de vela no rio, e o nosso Guia do Egito para lá das pirâmides ajuda a organizar as duas cidades no mesmo roteiro.
Antes de ir
- Escolher o transporte: estrada para quem quer poupar e não se importa de madrugar; avião para quem tem pouco tempo e aceita menos minutos nos templos; dormir na vila para quem quer os templos sem multidões.
- Horários: as excursões de estrada saem de madrugada. Peça ao hotel um pequeno-almoço para levar e durma cedo na véspera.
- Bilhetes: a entrada nos templos tem bilhete próprio, normalmente incluído nas excursões. Confirme o que está incluído antes de reservar.
- Clima: o calor em Abu Simbel é intenso a partir do fim da manhã, sobretudo entre maio e setembro. Água, chapéu e protetor solar são indispensáveis.
- Fotografias: a fachada fotografa-se melhor de manhã, com o sol de frente. Dentro dos templos, siga as regras afixadas e nunca use flash.
- Festival do sol: se quiser estar lá a 22 de fevereiro ou a 22 de outubro, reserve com muita antecedência e conte com multidões.
Do sul do Egito para o Nilo
Abu Simbel é o ponto mais a sul de quase todas as viagens ao Egito, e a melhor forma de equilibrar um dia tão longo é guardar tempo para o rio. Em Luxor, a experiência O Nilo em felucca termina com duas horas de vela ao pôr do sol. Para ver tudo o que propomos no país, visite a nossa página do Egito.